Condutores escolares de SP pressionam Sindicato por ter solicitado reabertura parcial do CRM

SIMETESP

Condutores escolares fizeram manifestação na manhã de hoje (01) em frente ao SIMETESP (Sindicato do Transporte Escolar de São Paulo) para reclamar o porquê do Sindicato ter pedido a alteração da suspensão do CRM feita pela Prefeitura de São Paulo no em 23 de janeiro.

No último dia 28 de janeiro o Sindicato protocolou um Ofício junto ao DTP solicitando que as emissões do CRM continuem sendo realizadas apenas pelos condutores autônomos e empresas que já encontram-se no sistema, o que os condutores escolares são contra.

Os condutores vêem essa atitude do Sindicato como manobra que favorece muito os empresários e donos de cooperativas, que possuem maior capacidade de investimento, em detrimento dos autônomos que em quase nada serão beneficiados com essa medida, pois dificilmente terão condições de aquisição e operacionalização de um ou mais veiculos além do já existente.

Tal alteração, se aceita pelo DTP, segundo os condutores, não causará melhora alguma na demanda saturada que existe na cidade, pois as empresas e cooperativas poderão incluir quantos carros quiserem, e não haverá a reorganização da demanda regionalizada como muitos pedem há vários anos.

Logo cedo por volta de 9h da manhã, os condutores pressionavam o Diretor do Sindicato, Donay Jacinto, que é geralmente porta-voz do Sindicato, a descer e conversar com eles na rua.

Os condutores argumentaram que a rua é seu ambiente natural de trabalho e que o Sindicato não se nega a estar presente em manifestações organizadas pelos condutores apenas para seus representantes subirem em palanques, como ocorreu no Pacaembu.

Depois de muita confusão, em que a Presidente do Sindicato, Kátia Rodrigues joga nervosa uma prancheta no chão e grita para que os condutores calem a boca, Donay Jacinto finalmente desce acompanhado de um segurança que logo avisa de sua presença ali para proteger o diretor, o que revolta ainda mais os condutores presentes.

Os condutores reclamam que o Sindicato não ouviu a categoria e que não há apoio para o que fizeram, pois assinaram um documento que os prejudica.

Donay argumenta que o sistema está fechado e que não mudou nada. Porém os condutores argumentam que mudou sim, pois os autônomos não terão a mesma capacidade de investimento que empresários e cooperativas possuem, e que esta alteração só favorece os grandes.

Os condutores dizem ainda que se houver aceitação do DTP ao Ofício protocolado pelo Sindicato, que voltarão ali novamente e que não serão apenas meia dúzia de condutores como agora, ao que o diretor alega que está sendo ameaçado e informa que para qualquer tentativa de agressão responderá com processo.

Donay argumenta que é preciso esperar que o DTP dê uma resposta para que se dê algum encaminhamento nisso, o que não aconteceu ainda. Afirma também que a demanda não está saturada como dizem, e que os condutores reclamam como se existissem mil carros na mesma escola e isso não ocorre, gerando nova onda de revolta nos condutores escolares, que têm ciência do que ocorre realmente nos seus locais de trabalho, em que a quantidade de vans escolares no mesmo local não tem nenhum critério de administração por parte dos gestores públicos.

Os condutores informam que não aceitam o que o Sindicato fez e que não é ameaça, mas que não engolirão isso facilmente, e que voltarão em dobro, e depois o dobro do dobro, pois têm direito de manifestação e que irão se manifestar até que seja mantida a suspensão e não seja aceita a proposta que o Sindicato fez ao DTP.

Veja abaixo na íntegra o texto do Ofício protocolado pelo Sindicato.

Oficio SI1
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Oficio SIM2
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Oficio S3
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Conforme pode ser visto na imagem, o Sindicato pede que seja incluso o seguinte parágrafo ao texto da Portaria:

A suspensão referida no artigo anterior não restringe, cancela ou proíbe a substituição, inclusão ou retirada de veículos dos atuais permissionários do sistema, sejam eles pessoa física ou jurídica.”

Por Antonio Félix