Se bem fica ou não, COBRATE sozinha assume saldo final da demanda do TEG de SP

Cobra-te pelo que fazes e se bem fica para os outros os teus atos? Esse é um dilema que muitos vivem no dia-a-dia, e quando os atos envolvem o poder público, mais ainda.

Sempre tem aquela sementinha de desconfiança que azucrina nossos juízos, o juízo da cuca e o juízo de valor.

A Secretaria de Educação e a Secretaria de Transportes da Prefeitura de São Paulo publicaram em conjunto o Comunicado nº 007, que informa à sociedade e aos condutores escolares autônomos e empresas de transporte, que a COBRATE – Cooperativa Brasileira de Transportes, assumirá o saldo final da demanda de alunos das escolas municipais que estão sem transporte.

Justificam as secretarias que, publicada a relação dos alunos sem transporte no DOC do dia 13 e 14 de abril, na expectativa de que algum condutor ou empresa de transporte escolar se dispusesse a aceitar essa demanda, somente 10 (dez) condutores demonstraram interesse.

Estes 10 (dez) interessados ficaram com o total de 177 (cento e setenta e sete) crianças para transporte, ficando o restante das crianças sem nenhum condutor/empresa interessado em fazê-lo.

Isso posto, eis que a Cooperativa COBRATE então requereu para si toda a demanda deste saldo restante de crianças, o que foi concedido pelas secretarias.

Porém, segundo o item 3.4 do mesmo Comunicado que concede essa demanda àquela Cooperativa, devido a “fatores” como eventuais dificuldades de acesso dos veículos escolares até as residências dos educandos entre outros, e visando otimizar a logística do transporte dos educandos, será utilizado o “ponto de encontro”.

A dúvida é se foi concedido aos demais interessados este mesmo artifício facilitador, e se não haverá para algumas destas crianças o submetimento a riscos de acidentes no percurso, ou ausência nas aulas em dias chuvosos por exemplo, vez que a finalidade do programa é estabelecer o percurso “porta a porta” entre a escola e a residência.

E a maior dúvida ainda é se está havendo ou não algum favorecimento das secretarias à Cooperativa COBRATE, e algumas informações já começam a azucrinar os juízos, os dois juízos.

Algumas condutoras reclamam de que estão tentando trocar suas crianças já definidas por outras, conforme essa mensagem de whatsapp que recebemos em nosso portal:

“Gente em off para vcs…estamos tento o conhecimento de tias que já estão com os alunos e a Dre chamou ela falando que ela não faria mais esses alunos e que seriam outros. Qdo ela foi ver, os alunos que a COBRATE não quiseram seria passado pra ela e os dela pra eles…dai eu pergunto…eh favorecimento ou não??”

O receios dos condutores escolares, além do exposto acima, é de que a Cooperativa COBRATE acabe assumindo toda a demanda futura de crianças para as quais vier a ser concedido o direito ao transporte escolar gratuito nas escolas ao longo do ano ou no próximo ano, em função de seus veículos hoje se dispor a transportar um pequeno número de crianças em locais distantes, de difícil acesso e sem trajeto em comum.

E para os juízos mais férteis, em pleno ano eleitoral, muitos lembram dos ajustes feitos entre as gestões municipais e grandes empresas, Brasil afora e por anos e eleições seguidas, quando se usam notas frias de prestação de serviços e se distribui o valor de remuneração dos contratos municipais.

E neste caso em tela, há de se ressaltar, não há quaisquer indícios ou denúncia, que dirá provas. Mas a biografia da política brasileira azucrina os juízos de todos.

E estes “juízos” dos condutores escolares fica em rebuliço ao lembrar de que a Cooperativa COBRATE é formada por membros ou ex-membros do Sindicato de Transporte Escolar, o qual não é bem aceito pela imensa maioria dos condutores escolares em função do serviço que vem prestando há anos dentro da alternância do mesmo grupo diretivo.

Para muitos, o Sindicato não se posicionou de forma aguerrida contra o Credenciamento do TEG, além de ter se indisposto com a categoria quando tentou reabrir a emissão de alvarás apenas para CPF´s e CNPJ´s de quem já tivesse veículos cadastrados no sistema, o que iria favorecer demasiadamente as grandes empresas, e porquê não, as cooperativas.

Além da Cooperativa COBRATE, afirma-se que ao mesmo grupo pertencem a Cooperativa TRANSBRAT e a Cooperativa BENFICA, sendo esta última envolvida em episódio recente, há poucos meses atrás, de acusação de fraude em licitação do transporte escolar da rede estadual de São Paulo.

Torcemos que fique apenas no rebuliço dos juízos, do contrário, os condutores escolares dependerão do juiz, aquele dos tribunais, embora para muitos o maior juiz é o povo, e entre estes uns falam em fazer protesto e manifestação nas ruas, outros já se dizem dispostos a sentenciar nas urnas.

O fato é que, o que pode ser visto por alguns como uma boa ação de utilidade pública em resolver o problema de crianças que estavam sem transporte, para outros é visto como receio de favorecimento e interesses ilícitos.

Para ambos os casos, o tempo será o melhor juiz. Fiquemos vigilantes e no aguardo!

P.S.: Para visualização em tamanho real da foto desta matéria, favor visualizá-la em nosso facebook, devido a problema temporário na publicação de fotos em nosso portal.

Por Antonio Félix