Estudantes se arriscam em canoas improvisadas para ir à escola

Cada viagem, uma angústia. Para atravessar, os alunos até ajudam a remar, mas sempre com medo.

A estudante Erica Costa de 14 anos não esconde a apreensão ao ter que se locomover nas frágeis canoas. “É muito perigoso. Às vezes a maré está muito cheia e fica dando ‘maresia’, como não tem colete fica muito perigoso para nós”, relatou.

Ir à escola representa perigo para estudantes da localidade Tauá-Mirim, em São Luís. Um braço de mar separa os estudantes do colégio mais próximo. Sendo assim, eles precisam usar uma canoa improvisada e insegura para atravessar. O barco que faria esse transporte com segurança está quebrado e não recebe reparos desde o ano passado.

Cerca de 80 alunos da ilha de Tauá-Mirin, na capital maranhense, precisam realizar a perigosa viagem para chegar à escola mais próxima. O que chama atenção é que o transporte adequado para realizar a travessia existe, no entanto, a embarcação quebrou seis meses atrás e nunca foi consertada.

A situação revolta, pois, antes mesmo de seguir a viagem arriscada de barco, muitos alunos já estão desgastados de outra viagem. É que não existe transporte para o local onde se embarca e muitos estudantes precisam caminhar distâncias de até quatro quilômetros debaixo de sol forte. Duas horas exaustivas de caminhada até o ponto de embarque.

Os moradores reclamam que os dois ônibus que deveriam transportar os alunos para o local da travessia também estão quebrados desde o ano passado. Somente os alunos que estudam o ensino básico não precisariam realizar toda essa viagem, uma vez que existe uma escola para eles na pequena vila.

E nesse ponto reside outro problema. A escola de ensino básico ainda não abriu as portas em 2016, e cerca de 70 alunos estão sem aulas desde janeiro. O pequeno Fabiano, de apenas 11 anos, conta como é a sua rotina. “Esse ano não fui para a escola, só fico em casa mesmo, porque não tem aula”, disse.

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que um dos ônibus escolares que atendem os estudantes da comunidade já está funcionando. A Semed disse também que a lancha que faz o transporte dos estudantes está passando por reparos e que aguarda a chegada de peças. Ainda segundo a secretaria, a previsão de restabelecimento do serviço é de um mês. Sobre a escola fechada: as aulas serão retomadas na próxima semana e os dias perdidos serão repostos.

O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) disse através de nota que vem acompanhando situação dos alunos de Tauá-Mirim e de outras ilhas da zona rural de São Luís desde 2011. No ano passado o órgão ajuizou uma Ação Civil Pública contra o Município de São Luís, solicitando providências para a resolução do problema.

O MP-MA disse ainda que “constatou que, na ânsia de não perderem as aulas, alunos se submetem ao deslocamento em transporte precário, incluindo canoas sem coletes, colocando em risco suas vidas”.

Fonte: Folha do Município