Minivans levam crianças clandestinamente em Santo André

Utilizando minivans, motoristas têm realizado transporte clandestino de crianças a escolas de Santo André.

Após receber denúncias, a SA Trans, empresa pública que administra o transporte do município, em parceria com a GCM (Guarda Civil Municipal), fez operação, na sexta-feira, para coibir esse tipo de atividade ilegal.

Durante a ação, que aconteceu na rua Parcial, Vila Lucinda, divisa com a zona leste da capital, foram apreendidos três veículos de modelo Zafira, que estavam realizando transporte clandestino de crianças que estudam em escolas públicas da região. Os menores foram conduzidos às respectivas unidades de ensino com o apoio da GCM.

“Foi por meio de uma denúncia anônima que chegamos a esse caso. Vínhamos observando há algum tempo essa movimentação. Eles fazem a mesma linha do transporte autorizado, levando crianças que moram na divisa com São Paulo.

Atuam como se fossem transporte escolar de verdade, fazem propaganda na porta das escolas. E isso chamou a atenção de alguns pais, que fizeram reclamação para a gente”, disse o gerente de controle operacional da SA Trans, Rubens Daniel Martins de Abreu.

Segundo ele, há informações de que em outros pontos da cidade também está sendo feito serviço irregular. “Temos denúncias de que esses carros de sete lugares, como os modelos Zafira, J6, Doblô e até Blazers, estão sendo usados para esse fim. Então, estamos atentos a tudo isso e vamos fazer outras operações para coibir essa atividade irregular.”

Os veículos que foram apreendidos foram levados ao pátio municipal. Os proprietários foram multados em R$ 1.576.

O diretor operacional da SA Trans alerta os pais de alunos que fiquem atentos a esses motoristas que oferecem transporte fora dos padrões legais.

“Um dos carros apreendidos estava com os pneus carecas. Em carro autorizado, o vidro não abre totalmente. Ele é vistoriado, no mínimo, três vezes por ano, tem acompanhante que vai atrás. No clandestino, não há nada disso. Se a criança passar mal, por exemplo, o motorista nem percebe. Portanto, botar o filho nesses carros é colocar em risco a integridade física dele.”

Os três carros irregulares apreendidos pela SA Trans na sexta-feira eram conduzidos por mulheres. Todas elas tentaram fugir da fiscalização ao avistarem os agentes. Uma delas, percebendo a presença da equipe de fiscais, passou várias vezes em volta à escola, parando em outra rua e levando um aluno a pé para a unidade de ensino e deixando a própria filha, de 8 anos, trancada no carro sozinha.

“Quando a vimos passar a pé por nós, desconfiamos e fomos procurar onde ela tinha deixado o veículo. Ao chegar lá, vimos a menina”, relatou o diretor operacional da SA Trans.

Segundo ele, outra condutora que teve o carro apreendido não tinha sequer a carteira de habilitação ou a documentação do carro.

“É mais um risco para a criança, porque não há responsabilidade nenhuma. Elas não estão preocupadas com a vida, mas sim em ganhar dinheiro. O condutor escolar profissional tem curso específico, recebe treinamento, cursos de primeiro-socorro. Já essas pessoas não têm preparação nenhuma para exercer esse tipo de trabalho. Se acontece algum acidente, não sabem nem o que devem fazer”, afirmou Abreu.

A terceira motorista clandestina, ao ver a fiscalização, tentou fugir em velocidade, mas foi impedida pela GCM, que perseguiu o veículo. “Esses motoristas, quando avistam os agentes, fogem em alta velocidade. E aí está um risco muito grande para a criança que está no carro.”

Fonte: Metro Jornal