Lotações clandestinas voltam a circular livremente pela cidade de São Paulo

As lotações clandestinas voltaram a circular na cidade de São Paulo, operando na zona oeste da capital e disputando passageiros em quatro linhas de ônibus municipais.

Os clandestinos atrapalham os ônibus, andando devagar na frente deles, provocando um atraso de até 20 minutos, segundo informações dos motoristas dos coletivos.

Segundo a prefeitura de São Paulo, algumas dessas vans de lotações estão operando com decisão da Justiça, porém não informa exatamente quantas.

As empresas de transporte regular, entre elas a Santa Brígida que opera na zona oeste, informam que é responsabilidade da prefeitura coibir os clandestinos. A prefeitura afirma que faz fiscalizações para flagrar eventuais serviços ilegais.

Porém, é possível flagrar até 20 vans circulando no trajeto destas quatro linhas da zona oeste, dentre elas apenas 2 com selo informando ter autorização judicial.

A operação tartaruga que a van clandestina faz à frente do ônibus regular visa atrasá-lo e fazer a lotação dos passageiros nos pontos antes do mesmo.

Segundo informação dos próprios passageiros que utilizam os clandestinos, os motoristas cometem várias irregularidades no trânsito, entre elas o excesso de velocidade e dirigir atendendo o celular.

Os motoristas da empresa regular sofrem ameaça dos clandestinos, sendo orientados a não revidar ou se envolver em conflitos com os mesmos. Para eles, não há fiscalização alguma por parte da prefeitura e os clandestinos fazem o que querem.

A SPTrans afirma que fez 10 ações de fiscalização somente no mês de junho, visando detectar veículos irregulares.

Os passageiros que optam pela lotação clandestina o fazem devido à superlotação do ônibus regular, ou ainda devido serem mais rápidas e utilizam quanto encontra-se com pressa de chegar ao destino.

Em resumo, toda a responsabilidade tanto pela fiscalização quanto pela precarização do transporte público, que é mal estruturado e atende de forma parcial à população, é a gestão pública, que também é a única detentora de meios para corrigir essas irregularidades.

Em tempos de eleição municipal, é um ringue cujos movimentos serão muito bem planejados, sem que um queira atingir o outro e nocauteá-lo bruscamente, numa luta morna em que mais dançam que golpeiam, e assim será até o final do ano, com tendência a piorar ainda mais a ação de clandestinos.

Por Antonio Félix
Com informações da Folha de S.Paulo