Haddad corta van escolar de quase 300 crianças de mesma escola na zona leste da cidade

Crianças estavam sendo atendidas desde o início do ano letivo, a prefeitura chamou os condutores escolares e comunicou o encerramento do transporte. Desse jeito, cadê a demanda do transporte escolar, Sr. Prefeito?

Todos os 300 alunos são do CEU Alto Alegre, em São Mateus, na zona leste da cidade. Porém, acredita-se que este não seja um caso isolado e que outros existam pela cidade em menor quantidade de crianças prejudicadas, vez que é uma orientação vinda diretamente da prefeitura.

Os pais reclamam que não foram avisados sobre a suspensão do serviço pelas escolas ou pelas secretarias responsáveis, e que souberam da brusca decisão apenas na última terça-feira, no retorno para o segundo semestre das aulas.

Os condutores das vans escolares que fazim o transporte destas crianças, afirmam que também só foram avisados na terça-feira, quando participaram de uma reunião com a direção do CEU Alto Alegre.

A direção da unidade menciona que o transporte dos alunos que moravam a menos de 2 km, distância mínima prevista na regra da prefeitura para o serviço, seria suspenso a partir daquele momento.

“Foi passado que o CEU tinha recebido um comunicado da Secretaria Municipal da Educação para cortar alunos que moravam perto da escola. A partir daquele dia não podíamos mais transportar”, afirmou uma condutora, que preferiu não se identificar.

A SME (Secretaria Municipal de Educação), nega que houve corte nos recursos ou no número de alunos atendidos pelo programa de transporte. Oxe, e isso é o quê?

Para a secretaria, o que está havendo é reorganização visando corrigir “discrepâncias” encontradas nos dados cadastrados para o serviço no CEU Alto Alegre.

E após a revisão, a régua passou e cortou, sim cortou apesar de negarem que houve corte, os 300 alunos antes atendidos pelo programa.

Afirma ainda a secretaria que todos os alunos que estão dentro das regras e têm direito ao programa serão atendidos.

São atendidos atualmente pelo programa de transporte escolar gratuito, um total de 79.522 alunos na cidade. Esse número já foi de quase 140 mil quando foi criado o programa na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy.

Como diz o ditado popular “pimenta nos olhos dos outros é refresco”. É muito fácil dar uma canetada num ofício e tomar tal atitude. A grande questão são os desdobramentos que isso pode causar aos envolvidos.

Para quem senta na cadeira não muda nada, salvo se, de sua ação, resultar um descontentamento e seja removido do cargo nas eleições, já bem próximas.

Para as 300 crianças, e especialmente para as quase 300 famílias, é que o bicho pega, pois terão que se virar, de um dia para o outro, para arranjar uma outra forma destas crianças chegarem até a escola, e desta para casa.

Quais riscos existem neste trajeto, barreiras físicas ou avenidas com grande fluxo de trânsito. Foram analisados caso a caso, ou apenas veio a dita régua e “cortou” considerando apenas o limite dos 2 Km.

E se, Deus me livre… Eu não, Deus livre que uma destas crianças venha a sofrer um acidente neste percurso nos próximos meses? De quem será a responsabilidade?

Para os condutores escolares que recebiam pela demanda destas crianças, o prejuízo é maior ainda, pois as crianças darão seu jeito e correrão riscos ou não, mas podem ainda fazer o trajeto até as escolas.

As 300 crianças, se consideradas todas elas na menor faixa de pagamento do programa, a aproximadamente R$ 171,00 cada, que geravam uma receita de aproximadamente R$ 51 mil, o que grosseiramente dividindo-se 30 crianças para cada condutor, retira-se um total de R$ 5 mil de renda para 10 condutores prejudicados.

Podem ser mais que 10, ou menos que isso, o fato é que são 10 famílias que tiveram seu sustento retirado, foram sumariamente demitidos pela prefeitura.

Quem não lembra das palavras do Sr. prefeito quando defendia o Credenciamento do programa: “Agora, eles vão é ganhar mais, vai ficar é melhor para eles. Os melhores vão ganhar mais”.

E mais ainda, das palavras do Sr. Tatto, secretário de transportes, ao esculhambar os condutores escolares: “É o seguinte, se eles acham que não vira, sai! Eles estavam era acostumados a ganhar sem trabalhar”.

Complicado! Vez que estes condutores e as famílias destas crianças se baseiam em uma ficha, um documento assinado pelo condutor escolar, pelo responsável pela criança e pela direção da escola, de que, ao menos neste ano, teriam o transporte gratuito garantido naquela escola.

Querem um conselho, vocês condutores escolares prejudicados, e vocês famílias prejudicadas, unam-se e vão até a frente da SME ou da prefeitura e façam uma manifestação pelo menos com umas 200 pessoas. Chamem a mídia para cobrir sua manifestação.

Façam isso e o serviço volta ao normal na segunda-feira. Não são palavras de Nostradamus, mas são palavras de Nós-te-damos, damos o cargo na prefeitura e tiramos se não trabalhar de forma correta.

Por Antonio Félix