Nas férias escolares, lentidão em SP caiu 86%: veículos escolares é solução; quem enxerga?

Enquanto no mês de julho em SP a média de lentidão foi de 9 km no horário das 7h30, nos meses de fevereiro a junho, a média foi de 66 km no mesmo horário.

Durante as férias escolares do mês de julho, a cidade de São Paulo registrou, às 7h30, média de trânsito 86,3% menor do que a registrada entre os meses de fevereiro e junho.

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a média de lentidão para o horário foi de 9 km, contra 66 km nos seis primeiros meses do ano.

A média para as 7h também foi bem menor. No horário, a capital teve média de congestionamento de 8 km, contra 44 km registrados entre janeiro e junho (queda de 81,8%).

Para diminuir o impacto das voltas às aulas, a CET informou que vai implementar nesta segunda-feira (1º) a Operação Escola aos alunos de escolas estaduais e particulares. Desde semana passada a ação está em vigor para as escolas municipais.

A medida consiste em atividades educativas e operacionais nas proximidades das escolas. O acompanhamento do trânsito será nas proximidades de 89 escolas, em horários de entrada e saída de alunos, em dias e horários alternados.

De acordo com a CET, dentre as medidas operacionais estão priorizar e orientar a travessia de escolares nas faixas de segurança e orientar e monitorar as áreas destinadas ao embarque e desembarque de alunos.

A solução para um trânsito melhor nas grandes cidades é bem clara. Além do incentivo ao transporte público de grande massa, como melhores ônibus coletivos urbanos, trens e metrôs; o incentivo ao uso dos veículos escolares.

Não há por parte das gestões públicas o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos veículos escolares, contribuindo para a melhoria do fluxo de trânsito e diminuição da poluição.

A atividade sequer é reconhecida como profissão, bem como não possui os mesmos incentivos dedicados ao transportes coletivos urbanos, ou até mesmo aos táxis.

Se houvesse maior atenção governamental à atividade de transporte escolar com relação a incentivos fiscais, campanhas educativas na mídia, fiscalização e operacionalização de estacionamentos e vias específicos aos veículos escolares, as cidades só teriam a ganhar.

Em média, cada veículo escolar retira no mínimo 20 (vinte) veículos do trânsito em cada turno de aulas; se o mesmo veículo faz dois turnos por dia, são 40 (quarenta) veículos particulares fora das ruas, no mínimo.

Números que comprovam isso existem de sobra, o por quê de ninguém nunca ter se ocupado em realizar melhorias nesse tipo de atividade é que não se entende; aliás, entendemos bem, pois é uma atividade quase exclusiva de autônomos ou de pequenos empreendedores, sem grande representatividade.

Fosse a atividade de transporte escolar realizada por grandes corporações como ônibus urbanos, trens e metrôs, fatalmente já existiria tudo isso que reclamamos acima. O que prova serem as políticas “públicas’ direcionadas mais pelo interesse privado do que pelo interesse realmente público.

Por Antonio Félix
Com números publicados pelo G1