Preço mundial do petróleo caiu 20% no último ano, mas crise da Petrobrás fez preço do diesel subir 7%

No acumulado de 2 anos, o preço do petróleo já caiu até 60% no mercado internacional, porém no Brasil isso não teve efeito nenhum, devido ao rombo financeiro da Petrobrás.

Os preços do diesel (comum e S-10) ficaram 7% mais caros em julho de 2016, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Conforme dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo), que levanta os valores médios cobrados pelos combustíveis na bomba, no mês passado o diesel comum passou de R$ 2,80 para R$ 3,01 e o S-10 saltou de R$ 2,95 para R$ 3,16.

O economista e professor do IFG (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás) Adriano Paranaiba diz que diversos fatores explicam esse movimento. Destaca, entre eles, o efeito dos tributos, como PIS, Cofins, ICMS e Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). Alerta, além disso, para os efeitos negativos de um eventual aumento na Cide – alternativa estudada pelo governo federal para aumentar a arrecadação – sobre a economia.

“Todas as cadeias econômicas seriam influenciadas, tudo o que precisa ser movimentado, por causa da nossa opção de matriz energética para o transporte ser fundamentada essencialmente sobre o rodoviário. O governo cria ciclos viciosos ao aumentar esse tipo de imposto, pois aumenta o preço do combustível, que é o insumo de tudo o que é produzido no Brasil, promovendo mais inflação. E isso vira uma bola de neve”, analisa.

O economista também cita o papel da Petrobras. “Estamos em um momento de baixa histórica do petróleo no mundo. Mas, no Brasil, a Petrobras tem o controle do refino e distribuição, fixando os valores. E a empresa está necessitando controlar seu orçamento, seu caixa, para arrumar o descontrole que houve e compensar as perdas do passado”, explica.

Em julho deste ano, o barril do petróleo ficou, na média, em US$ 42, quase 20% menos que em julho de 2015, e aproximadamente 60% abaixo de julho de 2014.

Como a Petrobrás vem ao longo dos últimos anos segurando o repasse de altas de petróleo do mercado internacional, bem como há o prejuízo financeiro acumulado na companhia em função dos desvios de dinheiro e envolvimento em corrupção, causando perdas nas suas ações na bolsa de valores, não há como repassar ao consumidor brasileiro essa queda no preço do petróleo de 60% nos últimos 2 anos e de 20% no último ano.

Pelo contrário, como sempre quem paga o prejuízo é o povo brasileiro, ainda está sendo cogitada uma taxação maior de impostos, o que faria o preço do combustível na bomba aumentar ainda mais, enquanto no mercado internacional o preço está em queda vertiginosa.

Uma queda de 20% faria muita diferença no bolso de quem faz transporte, seja de cargas ou de passageiros.

Por Antonio Félix
Com informações de O Documento