Cadeirinha é solução? Apenas 37% dos veículos escolares de Rondônia tem condições de rodar

No total, foram 717 veículos vistoriados em 134 municípios, e 452 deles apresentaram falhas na manutenção, restando apenas 265 aptos a realizar o transporte com normalidade.

É só iniciar o semestre letivo para que os problemas referentes ao transporte escolar apareçam, resultando em falta de locomoção aos alunos que moram nas zonas rurais de municípios de Rondônia.

Ao todo, 31.299 estudantes da rede estadual dependem do translado ofertado pelos 362 ônibus cedidos aos 139 municípios até as escolas.

Em Araguaína, na região norte do Estado, os estudantes do Setor Barra da Grota ainda não conseguiram ir para a aula desde que o semestre letivo foi retomado, na semana passada, por falta do transporte.

Segundo o presidente da Associação dos Moradores da Barra da Grota, Antônio dos Reis Pereira dos Santos, o problema é recorrente. “São 71 alunos que estão sem ir à aula que fica no Setor Novo Horizonte. Neste semestre o carro não pegou os alunos, eles estão todos sem aula”, afirma. Devido à falta de transporte, o Ministério Público Estadual (MPE) foi acionado ainda em 2013.

Na semana passada, pais de alunos de São Valério, a 268 km de Palmas, comunicaram ao MPE que 11 crianças estavam sem poder frequentar a escola por falta de transporte escolar gratuito.

Na última segunda-feira, foi publicada a decisão liminar determinando ao município providências, em um prazo de 48 horas, em relação ao transporte escolar integral, gratuito, contínuo, eficiente e seguro a todos os alunos da zona rural matriculados em sua rede de ensino.

No dia 1º de agosto, a Justiça determinou a regularização do transporte escolar de Pedro Afonso, a 304 km de Palmas. Conforme a sentença, 20% dos recursos das contas públicas do município foram bloqueados até a comprovação que o município possua veículos adequados para o serviço. A adequação da frota e comprovação da execução do serviço deve ser realizada em 45 dias.

Em março ficou estabelecido que os valores dos custo/aluno dos transportes escolares, seriam de cinco parcelas a R$ 7,00 por aluno e outras cinco a R$7,50, no segundo semestre, totalizando as dez parcelas anuais pela gestão Estadual.

Por quê as ONG´s não se insurgem contra esse tipo de problema? Por quê não supervisionar e cobrar melhorias efetivas dos municípios e das gestões municipal, estadual e federal no sentido de melhorar a segurança do transporte escolar gratuito? Quando isso ocorreu?

Por quê não cobrar melhoria também na fiscalização dos veículos clandestinos que operam no transporte particular, todos eles sem a realização de vistorias necessárias, e sem a devida documentação de habilitação. cursos obrigatórios e certidões criminais? Quando ocorreu essa cobrança?

Por quê é mais fácil cobrar cadeirinhas nos veículos? A troco de quê? Onde estão os números de acidentes com vítimas fatais em veículos escolares? Por quê esse número nunca foi apresentado? Já vai mais de ano e nada, nenhum índice, nenhum levantamento…

Somente mostram o número geral, onde existe todo e qualquer transporte vitimando crianças, seja nos veículos particulares, seja no transporte escolar público sucateado, seja no transporte escolar particular clandestino.

Com tanta interrogação, é difícil acreditar que o real interesse seja a segurança das crianças. Até por quê, no Brasil, política e “bolso” é uma dobradinha f&*# que corrói tudo…

Realmente fará muita diferença as cadeirinhas que serão colocadas nestes 63% (mais da metade) dos veículos escolares de Rondônia, que foram deixados sem manutenção preventiva e necessária ao longo dos anos, e hoje sequer tem condições normais de rodar.

Por Antonio Félix
Com informações de Rondoniaovivo