Paulistano vive em média 1 mês e meio por ano preso no trânsito… Transporte urbano e escolar são opções!

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Por ano, o paulistano passa, em média, o equivalente a um mês e meio parado no trânsito. O tempo gasto diariamente para fazer a totalidade de seus deslocamentos aumentou 20 minutos entre o ano passado e agora.

Em 2015, os moradores da capital gastavam 2h38 em congestionamentos, tempo que passou para 2h58. A média faz parte de um pesquisa do Ibope, encomendada pela Rede Nossa São Paulo, divulgada nesta segunda-feira, 19.

Para calcular os índices, o instituto analisou a percepção do paulistano sobre mobilidade. A Pesquisa Sobre Mobilidade Urbana considera deslocamentos como ir e voltar do trabalho, do hospital ou da academia ou deixar e buscar os filhos na escola.

Entre quem usa automóvel todos ou quase todos os dias, o tempo médio para os deslocamentos chegou a 3h06. Os usuários do transporte público gastaram 3h11. Os dados sobre ciclistas e os que se deslocam a pé não foram divulgados.

O secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, disse que a solução para os problemas de mobilidade em São Paulo não passa pelo aumento do número de ônibus. “Temos de continuar melhorando a velocidade média dos ônibus nos corredores. Subimos de 14 km/h para 22 km/h. A ideal talvez fosse 25 km/h. Tem de evoluir. Não pode parar ou voltar atrás.”

Para o engenheiro e mestre em Transporte pela USP, Sérgio Ejzenberg, os moradores da periferia foram os mais prejudicados. “Cresceu o número de pessoas que gastam mais de 3 ou 4 horas para o serviço. O que opera na periferia é o sistema de ônibus auxiliar, não o convencional. Esse pode ser um foco possível de problema a ser estudado”, diz.

Discordamos do secretário de transportes da cidade, pois a a quantidade de ônibus é sim uma solução. Mas não só a quantidade, é preciso também que eles ofereçam algum conforto. O uso de veículos particulares por cidadãos se dá em função do conforto, e não pela praticidade. É muito mais prático ir e voltar ao trabalho em um veículo coletivo urbano do que dirigir e passar horas em congestionamentos.

O detalhe é que os veículos não oferecem nenhum conforto, não possuem assentos para todos os passageiros, não possuem ar-condicionado, som ambiente ou wifi. Falar dos transtornos da lotação excessiva e do esmagamento dentro dos ônibus ou metrôs então, nem pensar.

Uma outra solução é o transporte escolar. Mas o que vem a ser o transporte escolar para as prefeituras? Uma obrigação imposta pela Constituição para que façam o transporte de crianças que residem distante das escolas. Nada mais.

Afora isso, uma regulação imposta pelo CTB para que as prefeituras regulem a prestação do serviço de transporte escolar aos particulares, o que lhe dá em contrapartida o recebimento de taxas e impostos. E para o transporte escolar, pouco ou nada é feito pelas gestões municipais.

Não tivesse o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) regulado os itens obrigatórios a serem exigidos pelas prefeituras nos veículos escolares e estes veículos trafegariam aos pedaços, se dependessem apenas da regulação das gestões municipais.

As gestões municipais não tem sequer a “consideração” de retirar das ruas os veículos clandestinos que subfaturam e marginalizam a atividade, prejudicando aqueles que recolhem impostos e que, via de regra, deveriam receber de volta ao menos essa “proteção” da atividade por parte dos municípios.

Não há uma única campanha na mídia local, estadual ou nacional acerca da valorização dos veículos escolares. No máximo se vê alguma notícia sobre regras contratuais ou atenção aos veículos legalizados.

Quando em sua vida você viu uma campanha na mídia estimulando o uso do transporte escolar, incentivando as pessoas a deixar os veículos em casa e a contratar estes veículos para levar os filhos às escolas?

Quando também foi visto algum tipo de incentivo a este tipo de veículo? O máximo que já conseguiram até hoje foi a isenção do IPVA em alguns estados apenas, mas não em todos.

O que há de reconhecimento e valorização do transporte escolar pelos entes municipais, estaduais e federais?

Não há nenhuma diferenciação nos juros cobrados através de financiamentos para aquisição de veículos, não há nenhuma taxa diferenciada na cobrança de impostos e taxas (com exceção do IPVA em alguns Estados).

Sejamos realistas, em mais de 95% das cidades sequer há a liberação de circulação em corredores exclusivos de ônibus ou estacionamentos regulares em frente às escolas.

Por Antonio Félix
Com informações do jornal O Estado de S. Paulo