Sem pagamento, transporte escolar pára e 4 mil alunos estão sem ir à escola em cidade do interior de SP

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A empresa terceirizada reclama que o último pagamento recebido foi em julho referente a fevereiro, e que situação ficou insustentável, mesmo após ter realizado empréstimos bancários para manter o serviço.

O transporte escolar municipal de Sumaré (SP) foi suspenso na manhã desta terça-feira (4). De acordo com a Smile Transportes e Turismo, empresa responsável pelos coletivos, a interrupção acontece pela falta de repasse financeiro por parte da Prefeitura.

O valor estaria em torno de R$ 4 milhões, segundo a terceirizada. Procurada, a administração municipal informou que vai se manifestar nas próximas horas.

Cerca de quatro mil alunos dependem do transporte diariamente no município, segundo o diretor da empresa responsável, Emerson de Jesus. Ele informou que aproximadamente 65 ônibus não saíram da garagem da empresa nesta manhã.

De acordo com o diretor, o pagamento da Prefeitura à empresa não acontece corretamente desde o início deste ano, e que o último repasse realizado foi apenas em julho.

“Em julho, recebemos o pagamento referente a fevereiro. Nós não paralisamos antes por causa do período eleitoral, para ninguém dizer que influenciamos em algum resultado”, diz Jesus.

Apesar de o diretor informar que o repasse não está sendo realizado, ele garante que os funcionários continuam recebendo.

“Os funcionários estão sendo pagos corretamente. Mesmo com esse atraso da Prefeitura, a empresa está pagando. O montante da dívida é de R$ 4 milhões, estamos recorrendo a empréstimos bancários”, conta.

O filho de 11 anos da empregada doméstica Adriana Andrelina, que vive na região do Bairro Matão, depende do transporte para estudar. “Ele ficou esperando o ônibus, mas não passou”, disse Adriana.

“Ele ficou em casa sozinho, porque eu trabalho e não tinha como ficar. Agora, ele está na casa de uma vizinha”, completa Adriana.

O operador de máquinas André Luiz Leite, também do Matão, passou pela mesma situação nesta manhã. “Eu tenho uma filha de oito anos”, diz André.

Ele conta que a filha aguardou por meia hora no local em que pega o ônibus, até o motorista de outro veículo informar que o transporte escolar municipal não funcionaria nesta terça.

“Nós fomos levar as crianças para a escola, mas nenhum ônibus passou. Eu estou em casa, mas têm mães e pais que não podem ficar com os filhos”, conta André.

Emerson de Jesus informa que o transporte só vai funcionar quando o repasse acontecer corretamente. “O coração dói por tomar uma atitude dessas, mas só estamos tendo prejuízo”, diz Jesus.

Com informações do G1