Condutores escolares e estudantes fazem protesto em Minas por regularização de atraso de pagamentos

protesto_minasOs transportadores afirmam que não recebem do Governo de MG há 120 dias, e os alunos estão impossibilitados de frequentar aulas devido à falta de transporte.

Prestadores de serviço do transporte escolar estadual e estudantes fizeram hoje (8) pela manhã uma manifestação em frente à Superintendência Regional de Ensino de Montes Claros (MG).

Os microempresários alegam que estão há 120 dias sem receber do Governo de MG, por causa disso, o serviço foi parcialmente suspenso e alguns alunos estão impossibilitados de frequentar as aulas.

“O dinheiro vem do Governo Estadual, passa pela Superintendência de Ensino e é repassado para nós. Mas estamos há 120 dias sem receber e ninguém aponta uma solução, apenas afirmam que não têm dinheiro para nos pagar”, fala Marcelo Nunes, que trabalha no ramo de transportes desde 1997.

Ele alega que sem receber pelo serviço, não consegue arcar com as despesas de funcionários e de manutenção dos veículos. “Seis pessoas trabalham comigo no transporte, para tentar sobreviver no ramo estou fazendo fretes, viagens, usando o cartão de crédito, tudo isso para ver se consigo me manter, mas é difícil já que a despesa é grande”, desabafa.

A estudante Talita Alves, de 16 anos, mora na Comunidade de Campos Elíseos e estuda na Escola Estadual Américo Martins, sem o transporte escolar ela não tem como frequentar as aulas.

“Meus pais não têm condições de pagar um transporte particular e nem tem como me levar para a escola. Entendemos a situação dos motoristas, que também não podem trabalhar sem receber”, diz.

Vítor Pereira, de 14 anos, estuda na mesma escola de Talita. Ele mora no Recanto das Águas, sem o transporte, depende da carona.“Meu vizinho me dá carona às vezes, quando ele não pode me levar, ou vou a pé ou fico sem ir a aula”, fala.

“Tenho três ônibus e estou tendo que vender um deles para pagar dívidas. Gasto R$ 1.500 de combustível e estou devendo R$ 15 mil somente ao posto. A licitação do transporte foi feita em maio, ou seja, depois do início das aulas, em agosto recebemos o pagamento de maio e junho. De julho para cá a maioria não recebeu nada”, destaca Josivar Alves, que trabalha no ramo de transporte há 13 anos.

O microempresário ainda diz que as dívidas contraídas são provenientes dos gastos com o transporte, que têm despesas altas como pagamento de impostos, manutenção dos veículos e abastecimento.

“Sou pai de família, emprego pais de famílias, não estamos tendo como sustentar os nossos lares. Entendemos o prejuízo para os alunos, mas chegou ao ponto de não termos como prestar o serviço. Eu abastecia do meu bolso para que os ônibus rodassem, mas estou endividado e com risco até de ter que sair do ramo”, afirma.

A assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Educação disse que está levantando as informações sobre o caso para emitir um posicionamento oficial.

Com informações do G1