No nordeste, famílias deixam de comer para pagar combustível de ônibus escolar

sem_gasolina_bahiaHá dois meses o serviço de transporte escolar do município está parado. Os motoristas estão com os salários atrasados e decidiram suspender o trabalho. Os poucos ônibus que ainda fazem o percurso do campo para a cidade só funcionam porque os pais decidiram pagar o combustível.

Segundo os motoristas do transporte, a prefeitura não tem pago pelo serviço deles. “Para não perder o ônibus porque já está no fim do ano. Se perder, volta para trás de novo. Aí é o jeito. Deixa de comer para fazer isso”, relata um agricultor.

“Chegou no limite que não tinha mais como o dono do ônibus botar combustível para ir para Casa Nova. A mãe de um aluno ligou para o dono do ônibus e combinaram para colocar o combustível para transportar os alunos, para que eles não perdessem de ano pelo motivo do transporte”, disse o motorista Antônio dos Santos.

A mãe de um aluno, Gildete Rocha, mostrou a lista com os nomes e os valores pagos por estudante: R$ 15 reais por semana. Essa foi a solução que ela encontrou para que os filhos não perdessem o ano letivo.

“Tem uns que tiram do Bolsa Família, outros dão uma galinha que tem no terreiro para a pessoa pagar o transporte de escola, que é o que está acontecendo. Não era para nós estarmos pagando, porque o governo manda essa verba e essa verba está entrando onde, a verba da educação?”, questiona Gildete.

Mesmo assim o combustível não é suficiente para que os ônibus circulem por todos os pontos de parada. Antes ele passava perto da casa de Djair Barbosa, mas atualmente para bem longe. Ela e as três filhas precisam caminhar mais de dois quilômetros para pegar o transporte. “Elas reclamam demais porque é longe e é cansativo para elas que são pequenas elas andarem esses quilômetros. Não tem outra alternativa”, lamenta.

Dentro do ônibus falta espaço, falta banco. Muitos estudantes viajam em pé. A estudante Maiane Nunes passa mais de uma hora assim. “É muito calor, tem muita gente que passa mal e não aguenta porque vai em pé, porque é muito cheio. Já chego cansada, com vontade de só sentar. Não dá ânimo para estudar”, conta.

O agricultor José Carlos e a filha moram na comunidade de Riacho Grande, que fica a 42 quilômetros de Casa Nova. No caso deles, o transporte escolar não passa por lá e a solução encontrada por seu José Carlos foi levar a filha para a casa da irmã dele, que mora na sede do município.

Em nota, a prefeitura de Casa Nova disse que o transporte escolar continua sendo feito no interior do município normalmente. Disse ainda ue o problema mostrado na reportagem se refere a algumas rotas de responsabilidade do Governo do Estado.

Segundo a prefeitura, os motoristas dessas rotas estão com os salários atrasados há cinco meses por que o Governo do Estado não está repassando a verba. Já a Secretaria de Educação do Estado disse, em nota, que o repasse está suspenso por causa da falta de prestação de contas da prefeitura ao programa estadual de transporte escolar.

Com informações de Blog Zé Carlos Borges