Pros táxis pretos, tudooo! Pro transporte escolar, nadaaa! Gestão Doria suspende taxa de operação dos táxis pretos

taxi_preto_sem-taxaJá favorecidos com o credenciamento para uso dos taxis pretos no atendimento de serviços do Atende, Dória agora retira o pagamento da licença individual de R$ 60 mil.

Criados antes da regulamentação dos aplicativos de transporte, tipo Uber ou Cabefy, como uma primeira tentativa de regularizar o serviço, os táxis pretos deixarão de ter de pagar uma taxa de R$ 60 mil para a Prefeitura para trabalhar.

Com avaliação de que os cerca de 3.400 táxis dessa categoria, que é de luxo, não têm condições de continuar pagando essa taxa, mesmo que parcelada, a Prefeitura decidiu suspender por 60 dias a cobrança da outorga onerosa para os carros pretos, que poderão renovar suas licenças mesmo se estiverem em débito com o poder público municipal.

A medida foi publicada pela Prefeitura no Diário Oficial da Cidade. A gestão João Doria (PSDB) também criou um grupo de trabalho para propor mudanças no projeto.

O secretário municipal de Mobilidade e Transportes, Sergio Avelleda, afirma que a decisão foi tomada em conjunto com a Secretaria da Fazenda. “O modelo do táxi preto tem problemas”, disse, ao justificar a suspensão. “Agora, na renovação, os taxistas não conseguiriam pagar a taxa e isso seria a falência do sistema”, afirmou.

Os táxis pretos foram criados em outubro de 2015 e a ideia era oferecer uma alternativa legalizada para o aplicativo Uber na categoria Black. Os carros deveriam ser de luxo, na cor preta, e só aceitar chamadas por meio de aplicativos. Também não precisavam ter taxímetro comum e aceitar pagamento por meios eletrônicos. Os aplicativos de táxi em operação então, 99 e a Easy, adaptaram seus apps para a modalidade.

Quando as outras categorias da Uber, mais baratas, e outros aplicativos de transportes começaram a se popularizar na cidade, quebrado o monopólio dos táxis, o serviço deixou de ser interessante para os motoristas — que ficaram com a conta do carro caro e a outorga para pagar. Mesmo os apps de táxi passaram a oferecer carros com preços mais em conta e que não eram cadastrados como táxi.

No início de fevereiro, no Diário Oficial do dia 10, a Prefeitura de São Paulo já havia publicado um credenciamento para que motoristas de táxi preto prestem atendimento para o serviço Atende, que a SPTrans mantém para o transporte de pessoas com mobilidade reduzida. Veja aqui.

Dória lança credenciamento para táxi preto transportar deficientes do Atende. Aqui tem dinheiro, no TEG nada!

O transporte “elitizado” é cada vez mais favorecido pela nova gestão, primeiro porque deixou de contratar novos transportadores de fretamento (vans) para atendimento do serviço do Atende para transportar pessoas com mobilidade reduzida em veículos “premium”, agora também retira-lhes o pagamento da licença para prestação do serviço.

Enquanto isso, o transporte escolar não recebeu nada dessa nova gestão, nenhuma melhoria de atendimento ou exclusão de pagamento de qualquer taxa. O estacionamento em frente às escolas continua o mesmo caos e os corredores de onibus continuam bloqueados para os veículos escolares.

A emissão de CRM para novos condutores escolares continua aberta sem gestão ou critérios. Não há nenhuma limitação ou controle por escola ou região, nenhum levantamento, nenhuma análise ou planejamento.

Os veículos escolares clandestinos se multiplicam como baratas pelas escolas, ninguém sabe de onde vêm e não há nenhuma fiscalização sobre eles. Denúncias e pedidos de fiscalização apontam o horário e local onde a “praga” circula, mas nenhum digníssimo funcionário da prefeitura chega por ali para qualquer abordagem.

E “mais pior” para o transportador escolar do TEG, que escapou quase sem vida das primeiras perfurações da tesoura de Dória com a redução de demanda nas escolas no início do ano letivo, e desde a última sexta (10) se vê com a suspensão total de toda e qualquer concessão do benefício às crianças e uma auditoria sobre alguns cálculos de distância já efetuados, para os quais será feito novo corte. Alguns que já sobreviviam com poucas esperanças na UTI, agora poderão ter os aparelhos desligados.

Os transportadores escolares não tem encontrado motivo algum para estar contentes com o sorriso sempre aberto do bom moço gestor, que lhes prometeu respeito, reconhecimento e boa gestão do transporte escolar na capital.

Por Antonio Félix
Com informações do Estadão