Quase 80% dos motoristas escolares do TEG perderam demanda e remuneração em SP. Audiência pública lotada no sábado? Duvido!

Os transportadores escolares são, via de regra, individualistas e acomodados, mas o transportador escolar do TEG (transporte escolar gratuito) da cidade de São Paulo parece que incorpora ainda mais essa faceta.

É óbvio que não estamos afirmando que todos os transportadores escolares são assim, nem de maneira geral nem de maneira específica o transportador escolar do TEG. Mas, a maioria é, apesar de muitos se incomodarem com tal definição aqui exposta, ou não, vai saber, de repente nem se incomodam.

O transportador escolar do TEG de São Paulo aguentou quase calado por oito seguidos anos até resolver reclamar e fazer manifestação por aumento em 2013. Seu salário diminuía ano após ano e seu poder de compra era corroído continuamente; e não é que ninguém se importava, alguns até que tentavam mobiliza-los para o confronto, mas sem muito êxito. Fizeram uma manifestação parando o Viaduto do Chá e conseguiram um aumento, pouco, mas conseguiram.

Veio então o malfadado Credenciamento no final de 2015 e mesmo inflados por lideranças e associações, e algumas vezes até mesmo pelo Sindicato vejam só, pouca foi a oposição contra as novas regras, que não garantia demanda a ninguém.

Enquanto uns buscavam organizar, ou compareciam em reuniões e manifestações, vários foram os que tentaram correr à frente dos outros e garantir a assinatura dos pais, sem contar os muitos tios e tias “mortos” pelos colegas ou que supostamente ‘deixaram de trabalhar naquela escola ou região’.



E entre mortos e feridos praticamente todos se salvaram, uma parte muito ferida e adaptando-se às novas regras, e alguns até conseguindo uma melhor remuneração no ano de 2016.

Com a nova gestão, muitos sonhavam ser ‘agraciados’ com a equiparação aos ganhos que tem o Programa Atende, e logo vem a primeira ‘lapada no lombo’ quando foi alterada a forma do georreferenciamento no EOL antes pelo trajeto do veículo e agora pelo trajeto a pé realizado pela criança. A reanálise e exclusão de barreiras também foi feita e tirou-lhes outro tanto de crianças que eram transportadas.

Na tentativa de realizar manifestações e criar alguma oposição às medidas da nova gestão municipal, não se conseguiu reunir mais do que 500 pessoas na maior delas, e isso somente porquê havia uma grande quantidade de mães e crianças mobilizadas por associações de bairros. Na maioria das outras manifestações, menos de 100 pessoas presentes, alguns ‘gatos pingados’ de sempre.

E, para não ‘criar vício’ e lembrar quem realmente manda, a nova gestão atrasou o pagamento do salário dos transportadores nos últimos dois meses, por motivos não justificados. Alguns receberam o pagamento do mês passado com quase 15 dias de atraso, e no mês atual a data seria amanhã (31) mas a maioria sequer sabe quando irá receber. Tipo assim uma ‘lapadinha’ todo mês, para ‘acostumar-se com as regras da casa’.

Não bastasse tudo isso, foi divulgado pela PMSP na terça-feira o seu plano de privatização e desestatização, no qual está incluído o transporte escolar gratuito (TEG); mas não para equipara-lo ao ‘Atende’, a proposta visa abrir o serviço de transporte escolar para os taxistas ou funcionários de aplicativos, como Uber, usando carros comuns, de placa cinza, afirmando que estes poderiam atender aos dois públicos (passageiros convencionais e, por quê não, a criança que vai à escola).

Divulgada que foi há cerca de 10 (dez) dias uma audiência pública na Câmara de São Paulo promovida pela Comissão de Trânsito e Transportes daquela casa para discutir exatamente e unicamente o transporte escolar gratuito (TEG), a mobilização para a mesma é ‘quase nenhuma’. Pouco se fala, pouco se comenta.

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Aliás, fala-se e comenta-se sim, mas no jeito ‘transportador escolar’ de ser, vários anunciam ‘reclamando’ que não irão porquê na audiência será defendido apenas o cadeirante, e não o convencional. Afinal, não adianta apenas não ir, é necessário derrubar ou diminuir os que vão.

Aguarda-se há algum tempo, mais precisamente desde 11 de fevereiro, o resultado de uma análise e relatório produzido por uma comissão criada especificamente para levantamento de dados do transporte escolar gratuito e do edital de credenciamento atualmente vigente, com a possibilidade inclusive de uma nova licitação, em moldes e critérios ainda indefinidos.

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Conforme a publicação oficial que criou a referida comissão, a data limite para apresentação da conclusão e recomendações da comissão seria até o dia 31 de março, portanto amanhã. E ‘até’ não significa ’em dia tal’ ou ‘exatamente na data’.

Talvez a conclusão tão esperada pelos ‘sonhadores’ transportadores do TEG (haja sofá… afinal, quem deita, dorme; e quem dorme, geralmente sonha…) já seja a desestatização divulgada pelo prefeito aos vereadores de sua base aliada no dia 28, há dois dias atrás e a 3 dias do prazo dado à citada comissão.

Ou talvez não, quem sabe não vem por aí uma ‘linda’ licitação em que serão garantidos o aluguel do veículo e uma boa demanda, afinal o transportador escolar do TEG tem feito muito para isso, tem lutado muito por isso, tem ‘dado a cara à tapa’ e mostrado sua organização e forçaaa… Pera! Estamos falando do transportador escolar do TEG ou dos professores municipais?



Em uma análise que fizemos, na comparação entre os dados de novembro de 2016 e de fevereiro de 2017, cerca de 80% dos transportadores escolares do TEG tiveram redução no número de crianças, pelos motivos já citados acima, e isso em todas as DRE´s ou regiões, algumas com maior impacto (como em São Mateus, na zona leste) e outras com menor perda (como na região do Campo Limpo).

Muitos são os prejudicados mas poucos são os mobilizados, e como na sexta não haverá aula em nenhuma das escolas municipais e estaduais devido à greve e manifestação dos professores, quem sabe a viagem para o litoral ou para o sítio já não esteja programada.

Verdade seja dita, não fosse o presidente da Comissão de Trânsito e Transportes um vereador petista (Senival Moura), e portanto opositor da atual gestão, e destacando-se também como membro desta mesma comissão o vereador Abou Anni (PV), que apesar de integrante de partido aliado da base governista mantém sua convicção e luta histórica pelo transporte escolar, essa audiência pública sequer estaria sendo realizada.

Tal qual ocorreu nas manifestações contra o credenciamento no ano passado, ou nas manifestações de fevereiro deste ano quando reduziram a demanda, é estranho (pra não dizer triste e lamentável) o engajamento que se observa do(a) transportador(a) escolar autônomo(a) e do(a) monitor(a), e até mesmo de seus familiares, que deles dependem economicamente, pois estariam lutando pela sua subsistência, ou melhor dizendo, para criar condições de ‘levar o pão pra dentro de casa’.

De minha parte, eu prefiro queimar minha língua e ver essa audiência pública bombar… mas, são transportadores escolares, mais que isso, são transportadores escolares do TEG da cidade de São Paulo, e eu prefiro morrer mil vezes pela sinceridade do que uma única vez pela mentira e pela enganação, e é assim a maioria dos transportadores escolares do TEG da cidade de São Paulo, pelo menos até hoje. Se você não é um destes, desculpe-me!

Se você desejar ir à audiência pública que discutirá o transporte escolar gratuito (TEG) da cidade de São Paulo, segue o dia e local:

Dia e Horário:

Sábado, dia 1 de abril, das 9h30m às 12h00m

Local:

Palácio Anchieta

Auditório Prestes Maia – 1º andar
Viaduto Jacareí, nº 100 – Bela Vista – São Paulo-SP
CEP 01319-040

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Por Antonio Félix



 

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