Nem escuto a zuada da mutuca… Condutores escolares lotam audiência pública no sábado, Secretaria de Educação sequer envia representante

De forma covarde, na audiência pública realizada no último sábado (1) na Câmara Municipal de São Paulo para discussão do transporte escolar gratuito (TEG), não compareceu nenhum representante da Secretaria Municipal de Educação ou qualquer outro do governo Dória, com exceção do diretor do DTP, embora tenham sido convidados formalmente com antecedência.

Até porque sabiam que iriam para ‘apanhar’, em função do enorme descontentamento dos transportadores escolares com relação às mudanças promovidas desde o início do ano letivo pela nova gestão.

Os transportadores escolares comparecerem em peso, lotando as cadeiras do plenário e posteriormente as galerias. Já os vereadores, estes também se apequenaram e não compareceram. Dos 7 membros da Comissão de Trânsito e Transportes, apenas 3 membros da Comissão estavam presentes: o solicitante da realização da audiência pública, vereador Alessandro Guedes (PT); o presidente da Comissão, vereador Senival Moura (PT); e o vereador Abou Anni (PV), historicamente ligado às lutas da categoria do transporte escolar.

Deixaram de comparecer à discussão qualquer um dos outros 52 vereadores da cidade, do total geral de 55 vereadores que compõem a Câmara Municipal, e dentre estes mais covardemente os outros 4 vereadores que compõem a Comissão de Trânsito e Transportes, que listamos abaixo:

– Adilson Amadeu (PTB), vice-presidente da comissão;
– Conte Lopes (PP);
– João Jorge (PSDB); e
– Ricardo Teixeira (PROS).



Pelo visto, o dilema do corte no transporte escolar das crianças pela nova gestão não lhes despertou o interesse, ou não lhes diz respeito algum.

A audiência realizou-se sem grandes incidentes, salvo quando foi exibido um vídeo do atual prefeito Dória, quando ainda em campanha política no segundo semestre do ano passado, falava do seu respeito pelo transporte escolar e pelas melhorias que faria no programa de transporte escolar gratuito (TEG). Neste momento, a vaia da platéia presente foi geral e durante toda a exibição da peça publicitária promovida pelo prefeito, muitos chamando-o de enganador e mentiroso.

Já próximo do término da audiência, também houve o destempero de um transportador escolar mais exaltado que gritou inúmeras vezes da galeria contra os membros da mesa que a compunham, não distinguindo filiação partidária ou alinhamento, gritou várias vezes contra todos chamando-os de falsos, e de que nada de conclusivo seria feito para resolver o problema dele, transportador.

Explica-se tal desabafo exataldo do transportador devido à situação complicada que estão vivendo vários transportadores escolares do programa, reclamação também feita de forma contida e polida por todos os que se inscreveram para falar durante a audiência, alguns até mesmo mostrando o último demonstrativo de pagamento do ano de 2016 onde tinham cerca de 50 crianças, e o atual demonstrativo onde não havia nenhuma, pois todas haviam sido cortadas do transporte.

Em torno de 20 inscritos falaram durante a participação aberta à platéia, os quais relataram praticamente os mesmos problemas com relação ao corte de crianças, entre eles algumas associações de transporte escolar da capital, como ARTESUL, UGTESP e ACTESP, além do sindicato do transporte escolar e a Associação de Moradores do Morro Doce e de outras associações de bairros presentes.



O representante da SMT, Marcos Landucci, diretor do DTP, respondeu algumas perguntas feitas pelos inscritos e pelos vereadores, porém nada de efetivo sobre o transporte escolar gratuito, vez que o órgão apenas fiscaliza os veículos e efetua o pagamento dos transportadores escolares, sendo os critérios de concessão e demanda exclusivamente efetuados pela Secretaria de Educação. Assim, as perguntas respondidas pelo mesmo foram mais ligadas à questão do atendimento e da fiscalização realizada pelo órgão ao qual é responsável.

De conclusivo mesmo ficou apenas a criação de uma comissão formada por representantes dos transportadores escolares e os 3 vereadores ali presentes na audiência pública, no intuito de buscar a abertura de negociação e conversa junto à Secretaria Municipal de Educação (SME), bem como uma reclamação junto ao Ministério Público.

Vários documentos foram protocolados por associações e empresas de transporte escolar durante à audiência, para os quais a comissão se comprometeu a fotocopiar e entregar uma cópia a cada um dos outros 4 vereadores que são membros da mesma.

E assim, nada de concreto ou solucionador em um futuro próximo está previsto para ocorrer aos transportadores escolares do TEG da capital, salvo se houver alguma intervenção por parte do Ministério Público quanto à retirada do transporte escolar que limita ou impede o acesso das crianças à educação básica.

Um dos documentos apresentados durante a audiência pública compõe-se de um relatório que a ARTESUL e o portal Escolarweb produziram através do levantamento de cerca de 30% do total de crianças e veículos que atendem o programa, buscando demonstrar que o corte das crianças se deu por motivos vários e não apenas por suposta irregularidade na aferição da distância entre a residência e a escola.

Em função da dimensão da exposição do relatório, o mesmo será tratado em matéria seguinte deste portal, a ser publicada ainda hoje.

Por Antonio Félix



 

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