Secretário da Educação de SP avalia dar voucher (dinheiro) para pais escolherem transporte escolar e merenda

O novo secretário estadual da Educação, João Cury Neto, avalia dar dinheiro para as famílias escolherem o transporte escolar e a merenda de seus filhos. A ideia é ter um valor para cada filho, e o pai decide como a criança vai à escola – se preferir levá-la a pé, por exemplo, poderia usar a verba para outra coisa.

“Eu fico imaginando uma família em que o pai está desempregado e falo que vou dar R$ 200, R$ 300 por mês. Ele tem carro, passa a levar o filho dele e os do vizinhos e fica com dinheiro para fazer o que quiser”, diz o secretário, que é advogado e foi empossado há 15 dias.

Além disso, Cury prepara um programa para repassar dinheiro para os grêmios estudantis usarem em pequenas reformas nas escolas. Os próprios alunos decidiriam onde por a verba. Ele ainda defende o bônus por desempenho, política do Estado que dá dinheiro aos professores de acordo com os resultados dos alunos nas avaliações, e reclama da dificuldade para implementação da reforma do ensino médio.

O secretário afirma não ser completamente contrário à ideia dos vouchers: “Acho que tem de acontecer naquilo que não é atividade fim. A gente dar o voucher para o aluno e ele ir onde quiser ou colocar uma organização social para tocar uma escola, isso tem de amadurecer ainda. Mas acho que você dar um cartão para uma mãe para ela escolher o transporte que quiser para o filho, e se ela levar o filho e quiser ficar com o recurso para outra coisa, eu não vejo nenhuma dificuldade. Não vejo nenhuma dificuldade no empoderamento da pessoa.”

Questionado se o transporte não é função do Estado, afirma: “Eu preciso dar o ônibus para o aluno? Não, a lei não diz isso e, sim, que tenho de dar condições para ele chegar até a escola. Faço uma pesquisa no mercado, quanto custa por mês para o aluno chegar a escola pelo meio de transporte que ele quiser? São Paulo tem uma oferta de serviço enorme. A gente tem de conversar com a mãe, para ver se ela não vai achar isso é uma transferência de problema. Mas se ela disser: pode me dar o dinheiro que eu garanto que meu filho vai chegar à escola são e salvo, e vai render. Por que não? Eu estou louco para fazer isso aqui.”

Segundo o secretário, a ideia não é economizar, é dar autonomia para as pessoas decidirem: “Se gerar economia, ainda melhor. Eu fico imaginando uma família em que o pai está desempregado e falo que vou dar, por filho, R$ 200, R$ 300 por mês. Ele tem um carro, passa a levar o filho dele e os do vizinhos na escola e fica com dinheiro para fazer o que quiser. A ideia do voucher é diminuir a tutela do Estado. O Estado não precisa ser enorme, que tutela tudo e todos. Merenda também daria, para alunos de ensino médio”, afirma.

Politicamente, o secretário está em uma situação complicada. Cury foi prefeito de Botucatu, no interior do Estado, pelo PSBD, e até abril era o presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), órgão ligado à secretaria, que cuida de reformas e transporte. Havia pedido para deixar o cargo para ser candidato a deputado federal, quando recebeu o convite do governador Márcio França (PSB) para assumir a Educação. Aceitou e foi expulso do PSDB. “Nunca imaginei que pudesse ser expulso por ter permanecido no governo. O governador Márcio França não usurpou o poder.”

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Com informações do Estadão