Prefeitura de SP anuncia vacinação em escolas, devido explosão de casos de sarampo

Após a explosão do número de casos de sarampo nos últimos meses, a Prefeitura de São Paulo anunciou nesta segunda-feira (22) que fará vacinação também nas escolas públicas. Empresas privadas, faculdades e condomínios que solicitarem o serviço também receberão profissionais da saúde para tentar conter o avanço da doença.

Desde o dia 7 de junho, os casos de sarampo dispararam 850% no estado de São Paulo, passando de 51 para 484 até o último balanço divulgado na sexta-feira (19) pela Secretaria Estadual de Saúde. A grande maioria dos casos foi confirmada na capital – 363 -, e o número preocupa por já ser o maior registrado em mais de 20 anos.

“O recrudescimento da doença tem decorrência especialmente porque as pessoas resolveram não tomar a vacina. Isso se deve também, em grande parte, pelas ‘fake news’ que vêm se espalhando. Esse número crescente na cidade leva o poder público a ter ações conjuntas com outras esferas de poder”, afirmou o prefeito Bruno Covas (PSDB).

A vacinação nas escolas é uma parceria com a gestão de João Doria (PSDB). De acordo com o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, os alunos e professores receberão orientações sobre a importância da vacinação e já devem começar a receber as doses dentro das escolas em agosto, na volta às aulas.

A cidade de São Paulo está em campanha especial de vacinação desde o dia 10 de junho, mas a adesão entre o público alvo ainda tem sido baixa. O objetivo é imunizar cerca de 3 milhões de jovens entre 15 e 29 anos, mas até agora só 6% da meta foi atingida.

“A vacinação só nas unidades básicas de saúde não era suficiente. Agora estamos vacinando também no metrô, em terminais de ônibus, terminais de trem, shoppings. Essa conclamação é importante. Precisamos que esses outros segmentos se associem na mobilização diante da necessidade de superarmos esse problema”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido.

O secretário também alertou para a velocidade de contágio da doença. “Uma pessoa com sarampo pode contaminar de 11 a 18 pessoas. Ao contrário de uma gripe, o Sarampo mata. Por isso que hoje a prefeitura busca mobilizar toda a sociedade civil”, diz.

No primeiro momento da campanha, a orientação era que quem já tivesse tomado as duas doses da vacina não precisaria se vacinar de novo. Agora, no entanto, todos que estão na faixa etária de 15 a 29 anos devem ser vacinados.

“Com o aumento do número de casos houve uma mudança. Agora, a orientação é para a vacinação indiscriminada de 15 a 29 anos. Isto é: mesmo quem tem as doses completas deve se vacinar”, afirma a Coordenadoria de Vigilância em Saúde, Solange Saboia.

O prazo da campanha foi estendido até o dia 16 de agosto e outras cidades da região metropolitana também foram incluídas. Neste sábado (20), 67 mil pessoas foram vacinadas no dia “D” em 15 cidades, sendo 58 mil na capital.

Antes considerado um país livre do sarampo, o Brasil perdeu o certificado de eliminação da doença concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em fevereiro deste ano, após registrar mais de 10 mil casos em 2018. O surto aconteceu principalmente nos estados de Amazonas e Roraima.

Em 2019, o último balanço epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado no dia 17 de julho, apontava 426 casos no país distribuídos por sete estados.

Segundo o Ministério, três estados estão com surto ativo da doença: São Paulo, Rio de Janeiro e Pará. São Paulo lidera o ranking com o maior número de infecções, representa 82% de todos os registros.

O sarampo é uma doença altamente contagiosa que pode evoluir para complicações e levar à morte. Os principais sintomas são febre, manchas avermelhadas na pele do rosto e tosse persistente. Para evitar a doença, é importante seguir o calendário de vacinação.

A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é oferecida gratuitamente durante todo ano pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ela é indicada para crianças de até 12 meses, que devem tomar outra dose de reforço a partir dos 15 meses de idade.

Devido ao aumento do número de casos, as vacinas vêm sendo oferecidas em alguns estados a outros grupos prioritários mais abrangentes. Em São Paulo, o foco da campanha tem sido a população de 15 a 29 anos, mais suscetível a não ter tomado a segunda dose da vacina. (Veja a lista de postos onde é oferecida na capital).

A vacina só é contraindicada para gestantes e pessoas com baixa imunidade, como pacientes em tratamento contra o câncer.

Com informações do G1