Governo federal e estadual de SP colocará mais militares nas escolas, também como professores

O MEC (Ministério da Educação) anunciou na quinta-feira (11/07) que pretende implementar 108 escolas cívico-militares até 2023. Diferente das escolas militares, que são totalmente geridas pelo exército, este modelo prevê a atuação de militares da reserva no papel dos professores.

A proposta é fazer 27 escolas por ano, uma para cada estado. O documento foi elaborado pelo MEC em conjunto com estados e municípios representados pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

Em São Paulo o governador João Dória adotou uma postura semelhante ao do MEC. No inicio do mês foi anunciado que serão contratados policiais militares já aposentados ou que estão fora de serviço para fazer ronda escolar. Segundo a gestão estadual, a iniciativa é reforçar a seguranças nos colégios.

O inicio do projeto “Escola mais Segura” está previsto para setembro. A ação ainda prevê a inclusão de 56 psicólogos e 28 assistentes sociais em toda a rede de 1.587 escolas, divididas nas 28 diretorias de ensino.

A principal crítica dos polícias militares é a institucionalização dos chamados “bicos”, quando os policiais atuam fora do horário de serviço para complementar a renda.

“A Policia nas escolas é contra a própria lógica da educação” diz Paula Aparecida, professora e co-deputada estadual da Bancada Ativista (PSOL). Segundo ela, “a policia é um aparato do estado que detêm o monopólio das armas e da violência” e trazer os militares para sala de aula “significa que essa violência será trazida para o processo pedagógico”.

Ela questiona a eficácia das escolas militarizadas como metodologia pedagógica, para isso ela compara que as maiores faculdades e colégios do mundo se utilizam da metodologia usada pelo educar-educação brasileira Paulo Freire “É usada essa pedagogia construtivista”.

Outro comentário da professora é que não serão todas as escolas que terão esse aparato militar: “É na escola pública. É uma medida de contenção, opressão e repressão nos filhos da classe trabalhadora”.

A professora enxerga que esse “descontrole” nas salas de aula tem a ver com a estrutura de ensino “é sistêmico, tem a ver com a quantidade de alunos na sala. Tem a ver com a falta de material, falta de estrutura, falta de salário, falta de tempo e a dupla jornada do professor”.

Até mesmo o prédio das escolas foi alvo das críticas de Paula. Para ela, a escola se tornou uma “prisão”, com “cercas e grades”: “Quando você transforma a escola numa prisão, e coloca dentro dessa prisão, o professor e os alunos cercados como animais, a gente fica se digladiando e não percebe que o domador fica do lado de fora”.

Como proposta, a co-deputada acredita que a melhor maneira de mudar a qualidade das escolas brasileiras é mudar o sistema de ensino, garantindo uma melhor estrutura para o professor e para o aluno.

Com informações do SPNorte