Criança de 3 anos foi esquecida por mais de 3h em ônibus escolar de prefeitura na Grande São Paulo

O serviço de transporte escolar requer muita atenção e responsabilidade, e ainda que seres humanos, por humanos que são, estarem propensos a eventuais erros, nesta atividade trabalha-se sempre “no fio da navalha” e com exigência de 100% de aproveitamento o tempo inteiro, sob risco de justa causa no emprego ou até mesmo de responder criminalmente. Para diminuir possíveis falhas, a escolha do profissional autônomo ou empregado que fará este transporte é muito importante, assim como reciclagem, treinamento e atualização constantes.

Uma criança de três anos passou ao menos três horas sozinha em um ônibus escolar da rede municipal, em Cajamar, na Grande São Paulo, segundo relato publicado pela mãe em redes sociais. Karina Moratore disse que a filha ficou trancada sozinha no ônibus, estacionado na rua, “sem água, sem comida, sem assistência, sem ninguém”. A Prefeitura afirmou que os funcionários envolvidos foram demitidos e que colocou todos os serviços públicos à disposição da garota e da família.

O caso ocorreu nesta segunda-feira. Karina divulgou em rede social que, quando o ônibus retornou da escola, a monitora que acompanha as crianças teria descido relatando “um erro grave, muito grave” com a criança. A garota dormiu durante o trajeto até a escola e, no desembarque dos alunos, foi esquecida tanto pela funcionária quanto pelo motorista dentro do veículo.

A criança embarcou às 7h03 da manhã e teria seguido direto para o fundo do veículo. A mãe contou ter observado a monitora afivelar o cinto da menina antes que o ônibus arrancasse. O ônibus retornou às 11h43. A garota vestia uma roupa diferente e estava com a calcinha trocada.

“Quero entender o que houve nessas cinco horas que minha filha saiu de casa e não chegou até a escola”, escreveu Karina. “Por que não a levaram até a escola quando foi encontrada? Por que não me ligaram?”

A monitora teria dito à mãe que a menina só foi vista por volta de 10h. Karina contou ter recebido uma resposta vaga após ter perguntado o motivo pelo qual não a procuraram quando perceberam que a criança não foi para a aula.

Quando questionou a filha sobre o caso, ouviu da menina que não havia ninguém no ônibus com ela e que o veículo estava estacionado na rua, em dia de forte chuva na cidade. Ela disse ter acordado sozinha, suando e com calor, ainda com o cinto de segurança atado. Com vontade de ir ao banheiro, tirou a roupa e fez xixi no chão do veículo.

“Ela ficou com desidratação. Levamos ela ao médico, fizemos exames físicos”, disse Karina.

A mãe acrescentou que a monitora disse ter fornecido café da manhã para a criança. A menina, por outro lado, contou ter recebido um “pão puro” do motorista quando ele entrou no ônibus e a encontrou.

Em nota enviada ao UOL, a Prefeitura de Cajamar afirmou ter notificado a empresa responsável pelo transporte escolar e que tanto monitora quanto motorista foram demitidos.

“Essa empresa presta serviço em toda a rede de ensino do município de Cajamar. As duas pessoas foram demitidas, mas isso não apaga o trauma da minha filha”, lamentou a mãe. Ela observou que a garota deve realizar acompanhamento psicológico.

Segundo a Prefeitura, a empresa informou ter realizado uma reunião com todos os envolvidos no transporte escolar para evitar novos incidentes.

“A Prefeitura de Cajamar vem a público informar que, imediatamente ao tomar conhecimento do ocorrido, acionou todos os possíveis envolvidos para apurar e responsabilizar os culpados. Mesmo sabendo da importância de realizar um controle minucioso de entrada e saída das crianças no veículo, a monitora e o motorista alegam que não viram a criança dormindo no banco. Após essa situação inadmissível, a Prefeitura notificou a empresa de transporte escolar que, imediatamente demitiu os dois funcionários.

A empresa ainda informou que após este fato lamentável, foi realizada uma reunião com todos os monitores e motoristas das linhas para reforçar a importância da conferência de todos os alunos no transporte para garantir que jamais ocorra outro fato como este.

A Administração está tomando as providências cabíveis e, junto aos pais, colocou à disposição todos os serviços públicos, inclusive na área da saúde, sendo que a criança já iniciou acompanhamento com psicólogo”, diz a íntegra da nota.

Com informações do UOL