Música gospel é proibida em transporte escolar após processo de ateus

liberdade_religiosaQue tipo de mal músicas cristãs podem causar a alunos do ensino fundamental de uma escola pública? Segundo a organização ateísta Freedom From Religion Foundation (FFRF), trata-se de um “abuso” e viola o princípio de laicidade do Estado.

O Distrito Escolar de Siloam Springs, no Arkansas, Estados Unidos, proibiu os motoristas de ônibus escolares sintonizarem rádios cristãs enquanto transportam crianças. A decisão foi tomada pelo superintendente Ken Ramey após o pai de um aluno fazer uma queixa formal.

Comunicada do fato, a FFRF pressionou o Distrito, citando decisões do Supremo Tribunal que enfatizam a separação da educação pública da religião. Desde a década de 1960, por exemplo, professores não podem fazer orações dentro de sala de aula. Agora os ateus conseguiram que qualquer programação religiosa seja banida do transporte escolar.

“Entendemos que os alunos estão em uma situação onde não têm opção e isso viola a cláusula legal que estabelece a neutralidade em relação a manifestação religiosa”, afirmou Ramey em comunicado. “Identificamos isso como um incidente verificável que pôde ser corrigido.”

O superintendente afirmou que o motorista foi informado e não sofrerá punição. Ramey afirmou entender que o homem era um cristão e ouvir esse tipo de música reflete “quem ele é”. Contudo, todos os motoristas do Distrito Escolar estão agora proibidos de promover seus valores religiosos durante o horário de serviço.

Jerry Johnson, presidente da Associação Nacional de Rádios Religiosas criticou as afirmações da FFRF de que ouvir música cristã em um ônibus escolar viola a Constituição. “Nem as crianças deixam suas crenças na porta da escola nem os motoristas de ônibus cristãos,” desabafou.

Acrescentou ainda que estuda algum tipo de ação jurídica. “A disseminação inegável dessas limitações é algo que causa crescente preocupação para uma nação fundada sobre princípio de liberdade de expressão e liberdade religiosa”, sublinhou.

Johnson questionou ainda que tipo de valores a maioria das músicas que tocam nas rádios seculares promovem. Para ele, é perfeitamente possível alegar que essas mensagens também estão sendo impostas sobre crianças que talvez não tenham idade suficiente para entender todas as referências a sexo livre e uso de bebidas alcoólicas ou drogas, por exemplo.

Entendemos que está muito longe de nós essa polêmica, mas isso nos faz refletir sobre nossa opinião a respeito. Afinal, que tipo de influência cultural estamos despertando nas crianças que transportamos? Eu particularmente preocupo-me com isso e seleciono em função de todos que estão no veículo ou simplesmente faço de acordo com o que eu curto?

Qual a sensação de um pai “careta” ao entregar seu filho à um transporte escolar que toca funk ou pancadão em som elevado? Ou música católica, sendo ele pai evangélico fervoroso, ou vice-versa?

São detalhes mínimos que, à primeira vista, podem passar despercebidos, mas que podem sim influenciar na opinião daqueles a quem o serviço é prestado (pais).

É claro que, descambando-se o assunto para a intolerância religiosa, a coisa muda de figura é torna-se de mais difícil discussão.

Porém, até onde vai o meu direito de manipular sob meu gosto o som do veículo escolar a ponto de não interferir ou influenciar no gosto individual das crianças que estão no veículo?

Por Antonio Félix

Com informações de Charisma News