Ônibus escolar da Prefeitura de Araçatuba todo irregular é apreendido após provocar colisões ao ficar sem freios

onibus_aracatubaA Polícia Militar apreendeu um micro-ônibus da Prefeitura de Araçatuba que, sem freio, danificou três veículos instantes após o desembarque de alunos em uma escola municipal, no início da tarde desta quarta-feira (23). Uma pessoa ficou ferida.

Segundo a polícia, o motorista não tinha autorização para transporte de alunos e o veículo não poderia ser utilizado para transportar estudantes, por não estar devidamente identificado. O caso aconteceu por volta das 12h20, na rua Paraguai, alguns metros antes do portão principal da escola municipal de ensino básico Índio Poti, que fica na Vila Carvalho.

O motorista do micro-ônibus, de 40 anos, contou à polícia que assim que os alunos desembarcaram, ele saiu com o veículo e percebeu que ficou sem freio. Para tentar evitar o acidente, ele virou o volante em direção à calçada, com o objetivo de parar ao bater em uma árvore.

Entretanto, antes de alcançar o alvo, o veículo atingiu uma picape Saveiro que estava devidamente estacionada, sem ocupantes. Empurrada pelo micro-ônibus, essa picape foi arrastada e acabou batendo em um Fiat Palio que estava estacionado logo à frente, que, por sua vez, atingiu uma motocicleta que também estava estacionada.

No Palio estavam o condutor e uma passageira, uma mulher de 39 anos. Segundo a polícia, ela sofreu ferimentos em uma das pernas e precisou de atendimento médico.

A vítima foi socorrida por equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e levada ao pronto-socorro do bairro Santana. No local, os policiais não conseguiram ouvir a versão dela, que passava por exames. Até o início da noite, não havia informações sobre o estado de saúde da paciente.

Quando os policiais chegaram ao local, a Saveiro e o micro-ônibus estavam atravessados na via, bloqueando o trânsito. O condutor do micro-ônibus foi submetido ao teste do bafômetro, que deu negativo para o consumo de bebida alcoólica. Entretanto, a polícia constatou que ele não possui a ATE (Autorização para Transporte Escolar), que é prevista no CTB (Código de Trânsito Brasileiro).

Com relação ao veículo, um Mercedes-Benz ano 1991, os policiais fizeram autuações por estar com o tacógrafo inoperante, com pneus traseiros em mau estado de conservação, com a placa de identificação traseira fixada de forma irregular e por não estar devidamente identificado para o transporte de alunos, o que também é obrigatório.

Após o local do acidente ser periciado, o veículo foi recolhido e levado para o pátio de um guincho. Segundo a polícia, como os alunos haviam acabado de desembarcar, não houve outros feridos.

A Prefeitura informou por meio da assessoria de imprensa, que o Departamento de Transporte Escolar da Secretaria Municipal de Educação irá apurar a utilização do micro-ônibus envolvido no acidente, que, segundo o órgão, não é utilizado no transporte de alunos.

jadiesel300x120De acordo com o departamento, o veículo de transporte de estudantes utilizado para fazer essa rota teve problemas mecânicos nesta quarta-feira e foi levado para a oficina. “O motorista deveria pegar outro ônibus reserva para fazer a linha, mas os ônibus reserva que estavam na oficina não estavam prontos para utilização e foi utilizado esse na emergência”, informa a nota.

Ainda segundo a Prefeitura, a manutenção dos veículos do transporte escolar é feita mensalmente e todos têm os itens obrigatórios.

Nota nossa:

A grande questão é: pode? Não pode! Não existe meia irregularidade nem meio crime. Ou é irregular ou não é. Da mesma forma que continua sendo ilegal roubar para comer porquê estava com fome. Como diziam nossos avós “de boas intenções o inferno está cheio”.

E, se por um acaso do destino, que inclusive quase aconteceu, por uma fatalidade (que graças a Deus não ocorreu), esse veículo todo irregular tivesse causado um acidente sério e vitimado alguma criança? Ah, mas foi só por hoje, só por um dia, só enquanto o veículo regular dessa linha estava na oficina… Justifica? Isenta de culpa?

E, se um transportador particular, com seu veículo regular na oficina, pega um veículo irregular e faz o transporte de alunos “apenas” por um dia, como argumenta em seu favor a gestão municipal, for surpreendido por uma fiscalização, até mesmo de agentes da própria prefeitura, ele será “aliviado” porquê estava cometendo “meia” irregularidade?

Considerando que a fiscalização do transporte escolar é de responsabilidade dos municípios, qual a “moral” do município para fiscalizar, vistoriar e regulamentar o serviço de transporte escolar com segurança e qualidade à sua população, quando ele próprio não cumpre a lei?

Por Antonio Félix

Com informações de Folha da Região