Doria prometeu liberar faixas de ônibus para fretados, para veículos escolares nada

fretado_faixaA cidade de São Paulo pode ter todas as faixas para ônibus urbanos e metropolitanos também liberadas para veículos de fretamento.

A sinalização foi dada pelo futuro prefeito João Doria à FRESP – Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo.

Segundo o presidente da entidade, Silvio Tamelini, o prefeito eleito prometeu de forma genérica atuar junto ao setor, mas ao ser questionado especificamente sobre as faixas, se mostrou disposto a auxiliar na questão.

“Assumimos recentemente a presidência da FRESP e a expectativa é muito grande em relação às administrações novas, principalmente em, São Paulo, Campinas e nas cidades da região metropolitana. O que ocorre na capital acaba sendo seguido pelas demais cidades. Proibir os fretados nas faixas é um contrassenso. É um transporte privado, mas coletivo, capaz de tirar carros das ruas e, com isso, melhorar o trânsito” – defende Tamelini.

Por dia, são em torno de 500 mil viagens de fretamento em toda a região metropolitana de São Paulo.

A restrição de circulação dos fretados ocorreu na gestão de Gilberto Kassab, em 27 de julho de 2009. Na atual gestão do prefeito Fernando Haddad, alguns espaços foram liberados para ônibus e vans de fretamento, mas as empresas dizem que, apesar de positiva, a medida é ainda insuficiente.

Tamelini também criticou o que chama de falta de seriedade das prefeituras em relação ao transporte de fretamento. Segundo ele, o fretado não disputa espaço e demanda com transporte público, mas pode ter impactos na redução do total de viagens de transporte privado individual, como carros e motos.

“Nas cidades quase não há nada sobre fretamento nos seus planos de mobilidade. O tema não é levado a sério, só existem promessas”, disse Tamelini.

Em alguns países, como nos Estados Unidos, diversas cidades liberaram faixas para ônibus de fretamento para auxiliar na redução dos congestionamentos.

Em relação às outras demandas do setor, Tamelini criticou a exigência de acessibilidade.
Para o executivo não é necessário exigir que todos os ônibus fretados tenham dispositivos como elevadores pelo fato de a característica da demanda de passageiros ser pré-definida.

“Caso haja, por exemplo, um passageiro com deficiência, logo deslocamos um ônibus adequado, se for necessário, mas o total de usuários nestas condições é pequeno. Nós sabemos com antecedência quem vamos transportar”.

Ambas as preocupações são também do transporte escolar. Sobre a liberação das faixas para veículos de transporte escolar, cuja necessidade é ainda maior que do veículo fretado, devido à exposição excessiva das crianças à poluição dos engarrafamentos, horários exatos de origem e destino e cronograma diário, nenhuma abertura foi indicada até o momento.

Quanto à acessibilidade, a lei que especifica sua obrigatoriedade (Lei 13.146) foi sancionada no ano passado e é válida para qualquer tipo de transporte coletivo, o que abrange tanto o fretamento, quanto o escolar e o coletivo urbano. Já há inclusive uma norma de padronização de itens dos veículos em curso na ABNT, e em breve será adotada pela indústria automobilística. O prazo previsto pela lei para adequação do transporte à estas exigências é até o início do ano de 2020.

A proposta de norma técnica foi elaborada pela Comissão de Estudo Especial de Fabricação de Veículo Acessível (ABNT/CEE-064) e busca “normalização no campo da fabricação dos veículos e dos equipamentos de transporte coletivo rodoviário e aquaviário de forma a torná-los acessíveis, compreendendo veículos para transporte de escolares, no que concerne a terminologia , requisitos e métodos de ensaio”, disponível em http://www.abnt.org.br/cee-64.

Por Antonio Félix

Com informações do Diário do Transporte