Motorista clandestino e GCM denunciam esquema de corrupção: “Quem paga propina, eles nem abordam. Se não paga, vai e prende!”

Um guarda municipal e um motorista do transporte clandestino denunciam um suposto esquema de corrupção montado dentro da Guarda Municipal de Itaquaquecetuba. Por medo, o motorista não quis revelar sua identidade. Ele trabalha com transporte clandestino e afirma que o esquema funciona desde o primeiro mandato do prefeito Mamoru Nakashima.

De acordo com o motorista, é feita a cobrança de uma taxa, por parte da Prefeitura, para deixar que os clandestinos trabalhem. “Eles cobram por semana R$ 250. E a pessoa que não paga eles vão no ponto e prende. Não deixa trabalhar, só roda quem paga, quem já tá tipo na máfia, propina, milícia, né. Aí “nóis” que não paga sempre fica sendo perseguido pelas “polícia”, GCM, esses negócio.”

Ele ainda conta que durante um tempo pagou essa cobrança aos fiscais da Prefeitura e que nesse período não foi perseguido pela fiscalização e nem pela Guarda Municipal. “Quando eu pagava R$250, eu rodava todo dia e colocava até para rodar no meu carro. Você podia rodar com o meu carro, podia ser outra pessoa, meu carro passasse: “opa, placa lá tá aqui tchau.” Já era, rodava tranquilo. depois que eu parei de pagar, já perdi mais de oito carro.”

Foi em uma ação da Guarda Municipal contra o transporte clandestino na semana passada que o motorista Fabiano Manoel Inácio, de 34 anos, acabou baleado por um agente da Polícia Científica de Mogi das Cruzes. Os policiais do Instituto de Criminalística (IC) decidiram perseguir o carro guiado pelo motorista depois de verem que ele era seguido por uma viatura da GCM.

De acordo com o motorista, que conhecia e trabalhava com o Fabiano, ele não pagava a taxa cobrada pelos fiscais. E para não ter mais um carro apreendido, fugiu. “Ele não pagava, inclusive no dia que os caras foram perseguir ele, ele falou: “o quê? já perdi um ó…” acelerou e falou “hoje eu vou escapar. Minha família lá, minha mulher grávida.” Ele sempre falava isso, já perdi outro meu, se eles “vim” agora não vou perder mais não.” A morte de Fabiano gerou uma onda de protestos na cidade. O alvo principal da revolta foi a Guarda Municipal.

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Cansado de ver a culpa cair em cima dele e dos colegas, um guarda municipal resolveu contar que toda a ação dos GCMs é coordenada pelo comando da guarda. E que partiu justamente do comando a ordem sobre quais carros tinham que fiscalizar e quais eles tinham que deixar passar.

Com medo de ser punido, o guarda municipal preferiu não se identificar. “A Secretaria de Trânsito, eles têm uma tabela que já, com todas as placas. Ele passa o veículo, é … tem que abordar aquele veículo. Aparentemente já é certo quem a gente aborda. Então, provavelmente, os que estão é, quem no caso contribui com eles não entra nessa lista de serem abordados, né.”

Uma situação que ele nunca imaginou que viveria quando decidiu entrar para Guarda Municipal. Ele queria ajudar a evitar crimes e não ser obrigado a participar de alguns. “Quem não paga é abordado. O nome tá naquela tabela que o pessoal pede para a guarda abordar, né. Quem paga passa livre.”

A Prefeitura de Itaquaquecetuba informou que a denúncia é infundada, oportunista e tem viés político. Segundo a Prefeitura, a Guarda Civil Municipal não apreende veículos de transporte clandestino, nem fiscaliza e que esse papel é feito pela Secretaria de Transportes com apoio da Polícia Militar.

Em relação ao motorista da lotação morto pelo agente da Polícia Científica, a Prefeitura informou que naquele caso, a GCM buscou fazer a abordagem porque o veículo seguia em alta velocidade, colocando em risco outros motoristas e pedestres e não por ser clandestino. Por fim, a Prefeitura declarou que já autuou e apreendeu 87 veículos de transporte irregular nos últimos 12 meses, que não há registros de qualquer denúncia de extorsão deste segmento durante os primeiros quatro anos da gestão, e se caso houvesse, elas teriam sido investigadas e tomadas as devidas providências.

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Com informações do G1