Quase 70% dos carros na capital paulista circulam com apenas uma pessoa. E como a administração pública vê o transporte escolar.

Na cidade de São Paulo, 68% dos carros circulam com apenas uma pessoa dentro, de acordo com pesquisa da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Essa movimentação acaba sendo responsável por 60% da poluição, segundo informou a GloboNews.

Uma das tarefas do secretário municipal de Transportes, Sergio Avelleda, é pensar em maneiras de estimular as pessoas a trocarem o carro pelo transporte público. Ele utiliza uma bicicleta dobrável para se locomover na capital paulista. No Dia Mundial do Meio-Ambiente, comemorado nesta segunda (5), Avelleda falou sobre o impacto de ter carros circulando apenas com o motorista.

“É muito ruim. O carro é uma fonte poluidora importante nas cidades. Entre os transportes, o carro responde por mais de 60% da poluição na cidade de São Paulo”, afirma. “É possível viver sem automóvel. Faz dois anos que vendi o meu e não senti falta em nenhum dia. Uso muito bicicleta e transporte público, e quando preciso de carro, uso táxi, aplicativo ou aluguel. Ou seja, eu não preciso ter carro. E é uma economia de dinheiro brutal, salva o orçamento da gente”, disse Avelleda.

Para inspirar as pessoas sobre o uso consciente do carro, o secretário diz apostar em um conjunto de ações, com investimento em comunicação, melhoria da qualidade dos veículos e de engenharia de tráfego, com a disponibilização de faixas mais rápidas para ônibus. Ele disse, ainda, que a Prefeitura está desenvolvendo políticas públicas para reduzir o impacto da poluição ambiental promovido pelos transportes.

“Na nova licitação dos ônibus, nós vamos começar a exigir redução do nível de emissões para que as empresas incorporem tecnologias de motor. Nós também estudamos a possibilidade de implantar faixas para carros com mais de duas pessoas embarcadas”, adianta. “Também estamos criando um aplicativo interno, da Secretaria, para fazer o match de carona entre os funcionários”, completa.

Nota Nossa:


Além da aversão à qualidade e consequente não utilização do transporte público por parte da população, o segundo maior motivo de tráfego nas grandes cidades é o transporte de alunos às escolas, o que pode ser visivelmente sentido em época de recesso escolar, quando o trânsito reduz drasticamente nas ruas.

Muitos pais que transitam sozinhos pela cidade, na verdade não sairam sozinhos de casa, mas sim acompanhados dos filhos que deixaram em alguma escola. E o mesmo acontece no horário de meio-dia na saída da escola e intervalo de almoço dos pais. Situação idêntica ocorre quando os pais retornam do almoço levando os filhos à escola e voltam por ela após o fim do expediente para traze-los no final do dia letivo.

Se houvesse por parte da administração pública o incentivo ao uso do transporte escolar, o tráfego nas cidades seria quase igual ao observado no período de férias escolares, o que propiciaria uma melhoria não só do trânsito, mas também do meio-ambiente em função da diminuição da poluição.

Um veículo escolar de menor porte transporta no mínimo 14 crianças, em sua maioria eles possuem capacidade para cerca de 20 crianças, sendo que até mesmo veículos considerados menores, do tipo vans, possuem alguns deles capacidade para até 28 crianças. Se pensarmos em veículos do tipo ônibus então, já seria algo em torno de 48 crianças.

Mas não há nenhum estímulo das prefeituras ou dos governos federal e estadual a este tipo de serviço. Taxistas, por exemplo, possuem isenção de impostos para circularem com veículos sempre novos, o que lhes garante uma redução de quase 40% na compra, comparando-se com o valor normal de mercado. Da mesma forma, podem estes veículos circularem pelas faixas exclusivas dos ônibus coletivos urbanos.

Ora, quando o Secretário de Transportes da cidade de São Paulo afirma “Nós também estudamos a possibilidade de implantar faixas para carros com mais de duas pessoas embarcadas”, ele não pensa em momento algum no transporte escolar, mas apenas nos automóveis de passeio.

A simples liberação das faixas exclusivas já provocaria um enorme avanço no serviço de transporte escolar, pois estes veículos lotados de crianças (em média minima de 20 crianças) chegariam mais cedo às escolas ou residências, provocando uma maior sensação de conforto e até mesmo reduzindo sua exposição aos impactos da poluição sonora e ambiental.

Da mesma forma, o incentivo fiscal através da isenção de impostos na aquisição de novos veículos de transporte escolar estimularia a renovação da frota e manteria a prestação deste serviço em nível elevado, propiciando maior conforto e satisfação aos seus usuários, o que fatalmente faria novos usuários buscarem esse serviço.

Apenas dois itens, liberação de faixas exclusivas e isenção de impostos na aquisição de veículos escolares, já propiciaria uma revolução na prestação deste serviço na cidade, inclusive da quase certa redução no valor das mensalidades cobradas, devido menor dispêndio de tempo/combustível e menor valor de custo/prestação do veículo. Isso por si só, aliado ao maior conforto e satisfação dos usuários, já estimularia sua utilização pela população.

Mas como a administração pública gasta rios de dinheiro na mídia com propaganda partidária ou com divulgação de matérias publicitárias de realizações da gestão (muitas delas que nem chegam a se concretizar), uma boa ação publicitária estimulando o uso do transporte escolar também seria bem vinda, aliado a palestras e seminários em conselhos escolares ou reuniões de pais.

Porém, nada disso há para o transporte escolar. Continua este serviço sustentando-se pelo pioneirismo e coragem dos prestadores de serviço, que do poder público nada recebem, sequer a suspensão ou redução de taxas municipais de regularidade ou vistoria, e nem mesmo a garantia de fiscalização e remoção dos inúmeros veículos clandestinos que procrastinam o preço e qualidade do serviço.

Quando se fala de reconhecimento e valorização do transporte escolar, a administração pública é como a figura de um pirata cego de um olho em que o tapa-olho está no olho errado!

Por Antonio Félix
Com informações do G1