Secretário de Transportes de São Paulo nem lembra que o transporte escolar existe

Em artigo publicado na Folha de São Paulo nesta segunda (24), Sérgio Avelleda, titular da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes da cidade de São Paulo, da gestão João Dória (PSDB-SP), comenta suas ações à frente da pasta, enumerando vários modais de transporte mas nada diz sobre o transporte escolar.

E olha que o título do artigo publicado pelo secretário é “O desafio de mover São Paulo”. Não seria o transporte escolar também um dos grandes indutores da mobilidade da cidade?

O secretário fala da manutenção da tarifa do transporte coletivo urbano, de ações como ‘Maio Amarelo’ e ‘Pedestre Seguro’, e das modificações feitas nas marginais e sua relação com os acidentes de trânsito.

E ‘enche a boca’ para falar dos benefícios concedidos ao táxi preto, como a redução de 66% no valor de transferência do alvará e o aumento de 10 para 15 anos no limite de parcelas para pagamento da outorga.

Avelleda segue falando do transporte por aplicativos (Uber, Cabify, e outros) e das ciclovias, do número de multas de trânsito, e finaliza afirmando que a população exige de seus gestores dedicação à causa pública, e que a estes “cabe oferecer serviços de qualidade, que descompliquem a vida dos que trabalham pelo desenvolvimento de São Paulo.”

Lembramos ao secretário que o transporte escolar é um serviço de grande relevância pública, tanto pela melhoria da mobilidade urbana quanto pela contribuição à redução de emissão de poluentes, e que também trabalham pelo desenvolvimento da cidade.

Sabe aquela finalidade precípua que tem o transporte coletivo urbano? É quase a mesma, só que em menor proporção, não por ser menor em eficácia e importância mas pela simples diminuição da demanda que o utiliza, da população que faz uso do transporte escolar em relação à parcela que faz uso do transporte coletivo urbano.

Não á toa, continua o transporte escolar da cidade de São Paulo jogado à sorte, sem políticas públicas voltadas ao seu desenvolvimento, e que na maioria das vezes sequer garante sua prestação regular.

Continuam os veículos clandestinos circulando como bem querem, os estacionamentos em frente às escolas disputados ‘aos tapas’ com os veículos de passeio, os veículos escolares impedidos de utilizar faixas exclusivas e parados no meio dos engarrafamentos em meio aos veículos comuns como se comum fossem (aliás, na visão do secretário deve ser comum mesmo, pois no meio destes deixou-o incluso, sem cita-lo separadamente).

E o que dizer da emissão desenfreada e sem critérios de alvarás de circulação, sem estudo prévio ou regulação por área de atuação por escola ou região; das altas taxas cobradas nas vistorias ou do mal atendimento que é dispensado ao proprietário do veículo que necessita do DTP?

Como esperar uma peça publicitária ou uma campanha efetiva da Prefeitura de São Paulo voltada ao transporte escolar, que busque mostrar à população a importância do uso do transporte legalizado e os benefícios que estes prestadores trazem à mobilidade e ao meio ambiente da cidade?

Segue abaixo o artigo do secretário, na íntegra (disponível na versão original, AQUI):

SÉRGIO AVELLEDA
O desafio de mover São Paulo

Iniciamos esta gestão com o desafio de desenvolver a mobilidade na cidade de São Paulo com estratégia, planejamento, dedicação, diálogo e muito trabalho.

No primeiro dia, anunciamos a manutenção da tarifa básica em R$ 3,80, promessa do prefeito João Dória (PSDB) para não penalizar o usuário do transporte público diante de um cenário de desemprego fruto da grave crise econômica brasileira.

Estamos revisando e aperfeiçoando o edital de licitação do sistema municipal de transporte. Já fizemos 33 audiências públicas. Com frota de 14.511 ônibus e média diária de 9,6 milhões de passageiros transportados, a capital tem o maior sistema de ônibus do mundo.

É um momento único de modernizar e renovar o transporte municipal. Vamos trazer segurança, conforto e modernidade ao sistema. Garantir acessibilidade e exigir veículos com espaço adequado para cadeiras de rodas e, nos maiores, para bicicletas. E ainda haverá metas para progressiva redução de emissão de gases que poluem o ar.

Estamos focados em ações e medidas voltadas à redução de acidentes. O Maio Amarelo nos deu a oportunidade de conscientizar a todos sobre a importância de ações e mudanças de comportamento para um trânsito com menos violência. Foi um mês de ações efetivas, como os programas Pedestre Seguro e 100% Pedestre, que irão oferecer mais proteção a quem anda a pé na cidade.

O programa Marginal Segura readequou as velocidades e apresentou medidas para reforçar a segurança nas marginais Pinheiros e Tietê. Com o aumento do número de agentes, novos veículos e melhora das câmeras, reduzimos o tempo de resposta para atendimento.

Isso fez com que o número de acidentes nas marginais caísse no 1º quadrimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2016.

De acordo com os dados consolidados da CET -o mesmo método utilizado desde 1979 para comparar os dados de acidentes de trânsito na capital-, a marginal Tietê registrou queda de 6,3% no número de acidentes com vítimas e redução de 16,7% no total de mortes.

Já a marginal Pinheiros teve queda de 39,6% de acidentes com vítimas; e a quantidade de mortos em acidentes se manteve estável.

Nestes seis meses de gestão, adotamos medidas para beneficiar os motoristas do táxi preto, categoria que, em decorrência da crise econômica, não conseguia arcar com suas obrigações.

Corrigimos distorções da regulamentação anterior. Entre as medidas estão a redução em 66% do valor cobrado na transferência de titularidade dos alvarás e o aumento para 15 anos do limite de parcelas para o pagamento da outorga.

Para empresas do setor de transporte de passageiros por aplicativo, passamos a praticar a cobrança progressiva por quilômetro rodado do serviço, que tornou mais justa a utilização pública do sistema viário e gerou recursos para a mobilidade.

Iniciamos um projeto de ampliação e revitalização das ciclovias para oferecer mais segurança, aumentar a qualidade das vias e garantir a conectividade entre as rotas de bicicletas e os meios de transporte coletivo. Estamos promovendo amplo debate com a comunidade, ciclistas e as prefeituras regionais para definir o projeto que dê a melhor utilidade à rede existente.

Por anos, a quantidade de multas aplicadas na cidade foi alvo de críticas. Esta gestão faz um trabalho permanente de reforçar a sinalização para melhor orientar o motorista sobre as regras de trânsito, reduzindo o número de infrações, sem deixar de fiscalizar. Melhoramos a sinalização nos 11 equipamentos que mais multaram em 2016 e, com isso, as infrações têm caído.

A população exige de seus gestores dedicação à causa pública. A nós cabe oferecer serviços de qualidade, que descompliquem a vida dos que trabalham pelo desenvolvimento de São Paulo.

SÉRGIO AVELLEDA é secretário de Mobilidade e Transportes da Prefeitura de São Paulo. Foi presidente da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e do Metrô.

Por Antonio Félix
Com informações da Folha de São Paulo