Implantação da reforma do ensino médio dependerá de mais investimentos públicos em transporte escolar, dizem especialistas

O transporte escolar e o uso de tecnologia foram citados como itens essenciais que podem ajudar a reforma do ensino médio a dar certo, em debate promovido pelo Estadão com vários especialistas.

A reforma não está pronta. Agora, após a aprovação, muitos pontos têm de ser resolvidos para a implementação ser completa. O assunto é complexo e desperta muito interesse, tanto que lotou o auditório do Fórum Estadão – O Novo Ensino Médio, evento que reuniu representantes do Ministério da Educação (MEC), do Conselho Nacional de Educação (CNE) e especialistas.

O primeiro painel, aberto pela secretária executiva do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro, apresentou as principais mudanças. Participaram Priscila Cruz, presidente do Movimento Todos Pela Educação; Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco; e Ilona Becskeházy, pesquisadora e consultora de políticas educacionais.

No segundo painel, foi debatida a implementação da reforma, com Rossieli Soares da Silva, secretário de Educação Básica do MEC; Ana Maria Diniz, presidente do Instituto Península; Eduardo Deschamps, secretário de Estado da Educação de Santa Catarina e presidente do CNE; e Mauro Salles Aguiar, presidente da Associação Brasileira de Escolas Particulares.

Mais da metade das cidades brasileiras tem só uma escola pública e deve recorrer a cooperações regionais para implementar a reforma do ensino médio. Para ter sucesso, o plano deve ter investimento em transporte escolar, uso de tecnologias e parcerias entre escolas de cidades próximas, segundo representantes do Ministério da Educação (MEC) e de Secretarias Estaduais de Educação. São 2.967 cidades nessa situação, ou 53% do total.

Após a reforma, as escolas de ensino médio só terão a obrigação de criar um dos itinerários formativos, que são a parte flexível do currículo. Os arranjos locais devem servir para oferecer uma variedade maior de itinerários, segundo o governo. Cidades com apenas uma escola especializada em Exatas, por exemplo, poderiam firmar convênios para enviar alunos a unidades especializadas em Ciências Humanas.

“No ensino médio, não dá para pensar na região apenas como municipal”, diz o presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE) e secretário estadual de Educação em Santa Catarina, Eduardo Deschamps. “É preciso que o planejamento seja regional.”

Essa necessidade de deslocamento é um problema até para estudantes de grandes cidades. É o caso da aluna Camila Harumi, de 16 anos, que acorda antes das 6 horas e leva mais de uma hora até a Escola Estadual Antônio Alves Cruz, na zona oeste de São Paulo. Ela sai da escola após as 16 horas e, na volta, encara ao menos uma hora e meia no transporte público. “É muito desgastante. Eu fico cansada lá dentro, fora de lá. Fico cansada o dia inteiro”, conta Camila.

Infelizmente a solução não é fácil, segundo os especialistas. “Interessa que (a educação) seja para todos, com alta qualidade, e fazer isso não será trivial”, disse o presidente do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, durante o evento no jornal. Para ele, a implementação da reforma será fundamental para não aumentar desigualdades. “A inovação é que você pode fazer um arranjo em que a escola oferece a parte que tem a ver com os conteúdos tradicionais, e a outra parte será oferecida por outra instituição.”

Com informações do Estadão