Alckmin pretende retomar projeto de fechamento de escolas estaduais em SP

Depois de fechar mais de 7 mil classes em todo o Estado desde 2015, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) pretende retomar seu projeto de reorganização da rede estadual, com fechamento de escolas. Só na Baixada Santista serão quatro unidades.

De acordo com o Sindicato dos Professores no Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), a Diretoria de Ensino de Santos já informou que fechará, em 2018, as escolas Braz Cubas e Cleóbulo Amazonas Duarte. Essas escolas já estavam marcadas para fechar em 2015.

Há ainda informações, segundo a Apeoesp, de que outras duas escolas podem ser fechadas na região: a Escola Estadual Rene Rodrigues de Moraes e a Jardim Primavera, ambas no Guarujá.

O argumento das diretorias de ensino ensino vinculadas à Secretaria Estadual da Educação; o mesmo de 2015, alterações demográficas que levariam a uma menor demanda por vagas; é contestado pelos professores. Para eles, se o argumento fosse verdadeiro, o governo poderia aproveitar menor procura para elevar a qualidade do ensino; com turmas menores, conforme recomendam diversas autoridades, entre elas o Conselho Nacional de Educação.

– Alegando alterações demográficas, este governo exclui, desrespeita direitos; aniquila a possibilidade de um futuro melhor para milhares de crianças e jovens, ao mesmo tempo em que mantém classes superlotadas; professores sobrecarregados de aulas em múltiplas escolas, salários congelados há mais de três anos; unidades escolares abandonadas, sujeitas a depredações, incêndios, roubos e todo o tipo de violência – lembra a presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, a Bebel.

No último dia 27, o sindicato divulgou pesquisa em que mostra a escalada da violência nas escolas estaduais durante a gestão Alckmin.

– Em todos a regiões do estado surgem notícias de ameaça de fechamento de escolas. Não vamos permitir – diz Bebel.

A entidade conclama professores, estudantes, pais e comunidade para ir às ruas e impedir a reedição da reorganização escolar; que o governo Alckmin tentou pela primeira vez em 2015; quando queria fechar 94 escolas e reorganizar outras 754. Acabou tendo de recuar frente à grande pressão da sociedade que rechaçou; nas ruas e em ocupações de prédios escolares de todo o Estado, a proposta do governo tucano.

– Onde houver uma escola ameaçada os professores estarão presentes para se manifestar, juntamente com os estudantes, os pais, a comunidade em geral – diz a presidenta do sindicato dos profesores.

A Apeoesp convida sindicatos, entidades estudantis e de pais, e movimentos populares para o lançamento do Movimento pela Qualidade da Educação Pública no Estado de São Paulo e pela Valorização dos Profissionais da Educação.

O movimento é contra os reflexos na educação trazidos pelo governo de Michel Temer (PMDB). Entre eles, a aprovação da emenda constitucional, que ao estabelecer um teto para investimentos da União; afeta principalmente as áreas sociais, como a educação.

– O governo Alckmin há muito já vem aplicando este tipo de política no Estado de São Paulo. Somente a união e a mobilização de professores e professoras; estudantes, funcionários e funcionárias, pais; sociedade de uma forma geral pode impedir a concretização deste projeto que reduz direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras e também de seus filhos e filhas; entre eles o direito fundamental a uma educação pública inclusiva e de qualidade, como define a Constituição Federal.

Com informações do Correio do Brasil