Governo de SP cancela contrato com empresa e crianças de Suzano e Ferraz estão sem transporte escolar

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Contrato com a empresa que prestava o serviço foi cancelado pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Pais e alunos aguardam novos transportes.

Há uma semana, mais de 200 crianças com necessidades especiais, que moram em Suzano e Ferraz de Vasconcelos não vão pra escola. A Secretaria de Educação do Estado cancelou o contrato com a empresa responsável pelo transporte dos estudantes e ainda não resolveu o problema.

Muitos pais foram pegos de surpresa com a decisão. Cauã Moura, de 13 anos, tem epilepsia e dificuldades de aprendizado. Ele e o pai ficaram 30 minutos no Jardim Amazonas, em Suzano, esperando o transporte que é exclusivo para pessoas com necessidades especiais. Mais uma vez ele voltou para casa com a mochila nas costas. “Não tem van para vir me buscar e a rua está toda alagada. Eu vou voltar para casa e dormir.”

Cauã estuda na Escola Estadual Campos Menezes, que fica a 20 minutos a pé. Porém, quando chove, fica muito ruim de passar pela rua. “Tem que dar a volta e dá 40 minutos andando a pé. Fica difícil”, comenta o pai Valdeci dos Santos Moura.

O pai do Cauã conta que na última quarta-feira (18), o motorista da van avisou a família que, a partir do dia seguinte, não iria mais passar. “Na quinta (19) nós ficamos até 7h10 esperando passar e nada da van aparecer”. O veículo é adaptado e pertence a empresa Camargo e Mello Transporte. A empresa que trabalha com transporte escolar tem sede em Guararema.

Segundo o gestor de operações da empresa, Marco Antônio Araújo da Silva, há quase 1 ano e meio eles levam 219 alunos para mais de 30 escolas estaduais de Ferraz de Vasconcelos e Suzano, mas, faltando duas semanas para encerrar o contrato, a Diretoria de Ensino da região de Suzano suspendeu o serviço.

Agora, o transporte seria de responsabilidade da EMTU. “Estava previsto uma licitação em Suzano e não houve. Simplesmente no dia 18 eles mandaram um e-mail e nós não fomos notificados, como manda a lei, e disseram que a EMTU ia fazer o serviço. Nós e os pais fomos pegos de surpresa.”

No e-mail recebido pela empresa, a diretoria explica que a decisão foi tomada com base em outro e-mail recebido da Cise-Coordenadoria de infraestrutura e serviços escolares. “Entendemos que o contrato encerra no dia 5 de novembro. Entretanto o mesmo foi sentenciado pelo Tribunal de Justiça e confirmado pela consultoria da pasta, aonde é solicitado a revogação do contrato pelo não cumprimento dos termos estabelecidos no edital”, diz o texto.

“A gente nunca foi notificado de nada e sempre prestamos um bom serviço. Na verdade, eles disseram que tem um contrato com a EMTU e o sistema é interligado. Então, como tem muitos perueiros de outras cidades, eles pegaram esse pessoal para transportar os alunos, só que muitas crianças estão sem transporte”, completa Marco.O novo transporte, porém, segundo os pais, ainda não começou a funcionar.

A Secretaria Estadual da Educação disse que rescindiu o contrato com a empresa porque apresentava irregularidades nos custos e, que, através de convênio, acionou a empresa metropolitana que está regularizando o transporte desde segunda-feira.

Com informações do G1