Pressão de professores municipais faz base de Dória adiar votação de reforma da previdência

A pressão dos servidores públicos nas últimas semanas surtiu efeito, e os vereadores da base aliada de João Dória (PSDB) decidiram adiar a primeira votação do projeto de reforma da previdência.

Prevista inicialmente para essa semana, ela será postergada pelo menos até a próxima semana.

Neste meio tempo, a base aliada tentará conseguir mais votos (são necessários 28 votos favoráveis do total de 55 vereadores que compõem a Câmara), sugerirá alterações no projeto de lei mandado pelo Executivo e promoverá mais eventos públicos para discutir o tema.

Atualmente, calcula-se que pouco mais de 20 vereadores apoiem a reforma da previdência, que precisa ser aprovada em dois turnos antes de seguir para a sanção do prefeito.

Alguns vereadores que em 2017 apoiaram a maior parte dos projetos de Dória têm se mostrado contrários ao texto da reforma da previdência municipal, entre eles Cláudio Fonseca (PPS), Celso Jatene (PR, Camilo Cristófaro (PSB), Eliseu Gabriel (PSB) e Police Neto (PSD).

Além destes, outros vereadores ainda não tornaram públicas suas posições para não se indisporem com o prefeito, que deve deixar o cargo no início de abril para disputar a eleição ao governo do estado.

Líder do governo na Câmara, o vereador João Jorge (PSDB) afirma que já solicitou ao presidente da Câmara, Milton Leite (DEM), que o projeto não seja colocado na pauta da Casa nesta semana.

“É uma demonstração de sensibilidade do governo diante das manifestações dos servidores e dos próprios vereadores durante a semana, que foram importantes. Se foi sentida a necessidade de mais debates e de divulgação, é o que vamos fazer. Vamos perder uma semana de tempo, mas vamos ganhar com debates e divulgação”, disse.

Um grupo de seis vereadores da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que aprovou o projeto na quarta-feira (14), solicitou às secretarias da Fazenda e de Gestão que avaliassem a retirada da alíquota complementar de 5% do projeto de lei, mantendo apenas a elevação dos atuais 11% para 14% de desconto previdenciário.

O dia 31 de março é o prazo máximo estabelecido pela gestão Dória para a sanção do projeto de lei.

Durante esta semana, a Prefeitura de São Paulo começará uma campanha em canais de TV para tentar angariar apoio de servidores a favor da reforma da previdência e para também ajudar a conter o desgaste de vereadores com a eventual aprovação do projeto.

Com informações da Folha de S.Paulo