Alta do dólar corrói subsídio do governo e preço do diesel deve subir em 01 de setembro

Com a escalada de aumentos do dólar nas últimas semanas, a subvenção de R$ 0,30 por litro do díesel concedida pelo governo para encerrar a paralisação dos caminhoneiros em maio já não é suficiente para ressarcir as refinarias e importadores pela venda do combustível a preços congelados.

Os efeitos do câmbio devem ser repassados ao consumidor nesta sexta-feira, dia 31 de agosto, quando o preço do diesel será revisto.

Uma nova fórmula de cálculo do preço foi apresentada nesta segunda, dia 27, pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), que atendeu a pleitos do mercado pela inclusão de custos adicionais de armazenagem e transporte do combustível em território brasileiro.

Assim, “o preço que será revisto no dia 31 de agosto vai ser pressionado duas vezes: uma pela fórmula nova, e outra pelo fato de o preço estar bem abaixo do internacional”, diz o consultor Adriano Pires, do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura).

O preço de venda do diesel por refinarias e importadoras está congelado desde maio, após acordo para encerrar a paralisação dos caminhoneiros.

O governo separou R$ 9,5 bilhões para ressarcir, até o fim deste ano, as empresas que se comprometerem a vender o produto pelo valor estabelecido.

As regras do programa, porém, limitam o desconto a R$ 0,30 por litro, valor hoje insuficiente para cobrir a diferença entre o preço definido em maio, chamado de preço de comercialização, e o valor que as empresas poderiam praticar caso o mercado não estivesse sob intervenção.

Desde o dia 18 de agosto o preço de referência usado pela ANP para calcular a subvenção não para de subir, pressionado pelo câmbio.

Com alta de 8% em apenas uma semana, atintiu na sexta, dia 24, os maiores valores desde o inicio do programa de subvenção do governo.

No Sudeste e no Centro-Oeste, por exemplo, é de R$ 2,5503 por litro desde sexta, R$ 0,444 a mais do que o preço tabelado pelo governo, de R$ 2,1055, o que já represantaria um aumento àquela data de R$ 0,15 após descontado o subsídio de R$ 0,30. E o dólar só tem subido de lá até agora.

Como o governo não pode aumentar o subsídio de R$ 0,30, como solução para cobrir o rombo somente resta o aumento de preço de venda pelas empresas.

Com informações da Folha de S.Paulo