O impacto no transporte escolar universitário provocado pelos cortes federais na Educação

Segundo reportagem do Estadão, em meio aos cortes do Ministério da Educação, as instituições têm anunciado medidas de economia, enquanto que os estudantes, para contornar os problemas, apelam para marmitas, caronas, vaquinhas e até empréstimos.

Segundo especialistas, a falta de apoio a estudantes – principalmente em um contexto de inclusão de alunos mais pobres nas universidades – tem impacto no engajamento dos universitários nos estudos, reduz possibilidades de dedicação a atividades complementares e contribui para a evasão.

A UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) informou que houve redução de verbas de custeio em 35%. “Estamos propondo uma revisão de contratos com as empresas terceirizadas”, disse Áureo de Moraes, chefe de gabinete da reitoria. Segundo Moraes, além da suspensão dos editais da Secretaria de Relações Internacionais, houve suspensão de passagens e diárias para cursos e eventos, a não ser em casos extremos.

A UFPR (Universidade Federal do Paraná) anunciou restrições a viagens para cidades a mais 300 km de distância por motivo de economia, bem como eventos institucionais, como o festival de inverno, foram encurtados e a universidade recorre a patrocínios externos.

Na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), três ônibus que faziam o trajeto entre as unidades de Diadema – há prédios no centro e em um bairro mais afastado – quebraram e a frota não foi recomposta. Segundo a reitoria, a licitação depende da liberação de recursos. “O fretado da universidade tem horário para ser cumprido, que vem sendo reduzido a cada dia”, diz a aluna de Licenciatura em Ciências Andressa da Paz.

A UFABC (Universidade Federal do ABC) promoveu redução na contratação de empresa de ônibus que fazem o transporte do câmpus a terminais de transporte público. Também tornou mais difícil atender a todos que precisavam se deslocar entre os câmpus. “(O bloqueio) faz com que a UFABC não consiga ampliar a capacidade de transporte, num cenário de expansão do número de alunos”, informou a universidade.

O resultado é que alunos precisam enfrentar um caminho perigoso e já organizam esquemas de caronas. “Quem chega pelo terminal (Santo André Leste) tem de passar por baixo do viaduto a pé”, diz Andressa Silva, de 22 anos, aluna de Ciência e Tecnologia na UFABC. “Decidi trancar minha matrícula para tirar carta de motorista. Me vi ameaçada de estar sujeita a assaltos”, diz ela, que escuta relatos de violência ao menos duas vezes por semana no trajeto.

“O transporte já era muito precário, os estudantes já sofriam muito”, diz Marcos Carvalho dos Santos, de 19 anos, aluno do 2º ano de Economia. Por causa da mudança, ele paga R$ 35 mensais a um colega por três caronas por semana, em média. Nos outros dias, ele vai até o terminal Sacomã e, de lá, usa corridas de Uber que custam entre R$ 21 e R$ 28 – ou cerca de R$ 7 se conseguir outros colegas para dividir a corrida.

Com informações do Estadão