Volta às aulas não anima transportadores escolares do Grande ABC

Transporte Escolar Osasco

As escolas particulares de seis das sete cidades do Grande ABC – São Caetano permitiu a retomada no dia 1º de fevereiro – retornam amanhã às aulas presenciais e junto com elas voltam também a ativa os transportadores escolares, que estão literalmente parados há 11 meses, desde março de 2020, quando as atividades educacionais foram suspensas em razão da pandemia.

A expectativa dos transportadores, porém, não é das melhores, mesmo com o retorno das aulas presenciais em colégios estaduais e municipais a partir de 1º de março em Santo André e São Bernardo – as cidades de Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra só permitiram a volta dos colégios municipais a partir do dia 5 de abril.

Anderson da Silva Santos, 38, atua como transportador escolar há sete anos e atende três escolas municipais. Se antes da pandemia tinha 60 contratos, agora, para este início de aula há apenas três. “Foi muito complicado, pois achávamos que seria algo de no máximo 15 dias de quarentena e tínhamos a esperança de que depois tudo voltaria ao normal. Apesar de toda luta, preciso agradecer a 50% dos pais que, mesmo sem utilizar, honraram os contratos até o fim do ano passado. E sabemos que muitos perderam o emprego.”

Segundo as contas de Santos, o prejuízo de março até o momento chega a R$ 100 mil. “Eu e minha esposa, Juliana, trabalhamos com transporte escolar. Agora, neste primeiro momento, iremos transportar menos crianças devido ao distanciamento, outros não irão mandar os filhos que optaram por permanecer em aulas remotas. Por outro lado, nosso custo de manutenção e de combustível subiu muito. Não bastasse, ainda devo demorar para me vacinar, então, além dos prejuízos financeiros, temo pela minha saúde e de minha mulher.”

Valéria Gomes Deltrejo, 43 anos, atua no transporte escolar há cinco anos e oferece o serviço em cinco unidades de ensino, sendo duas particulares. Segundo ela, que mora em São Bernardo, a situação ficou trágica durante a pandemia. “Fomos a única classe que até hoje não retornou às atividades. Não tivemos ajuda nenhuma, apenas uma cesta básica entregue pelo município. Fomos esquecidos. A sorte é que temos família e amigos.”

O faturamento de Valéria, por ser autônoma, praticamente zerou. Antes da pandemia, eram 60 alunos. Desse total, 90% romperam contrato do serviço prestado devido ao fechamento das escolas. Nesta semana 10% das crianças vão voltar para as aulas presenciais, já que a retomada das escolas também será gradual e com até 35% da capacidade. “Na pandemia fiz faxina e vendi chás, precisei pensar em algo para pagar contas de luz e condomínio, por exemplo”, comentou Valéria, que ainda listou as prestações de financiamento das vans e carros parados, além da manutenção.

Prestadora de serviços em São Bernardo, Stelamary Haddad Carnevalli, 49, perdeu cerca de 60 contratos na pandemia e, mesmo com o anúncio de retorno às aulas, ainda não teve contato dos pais para que seus filhos façam uso da van. “Desde março nenhum pai honrou com as mensalidades, pois também perderam seus empregos. Meu prejuízo foi grande, tanto financeiro como emocional. Fiquei sem dinheiro até para o básico e me sinto começando do zero.” Para ela, voltar a prestar o serviço com o mínimo de estudantes não vale a pena. “Se não houver, ao mesmo, 30 crianças não se paga nem os gastos com a van. Sobrevivi por causa da pensão que recebo da minha filha. Me vi sem renda.”, completa.

Com informações do Diário do Grande ABC