Criança de 6 anos vem sofrendo racismo dos colegas dentro de transporte escolar em SP

“Estou aqui para mostra pra vocês meu filho de 6 anos, que novamente está sofrendo racismo no transporte escolar. Estão puxando o cabelo dele, falando pra ninguém sentar do lado dele porque ele tem doença, só porque a pele dele é mais escurinha. Por favor, senhores pais, ensinem seus filhos que isso é feio, porque as crianças só fazem na rua o que aprendem em casa.” O apelo é da mãe de dois e técnica de enfermagem Bruna Sales, 24 anos, de São Paulo.

O post nas redes sociais está acompanhado de um vídeo (veja no fim da reportagem) em que o pequeno Christopher aparece chorando depois de chegar da escola, na quarta-feira (1). E a mãe chora junto, enquanto tenta consolar o filho: “Olha pra mãe, não chora, não tem doença, ninguém vai puxar mais seu cabelo, tá? Você é lindo”, diz ela.

Em entrevista exclusiva à CRESCER, Bruna disse que ficou sabendo do ocorrido por uma aluna da escola. “Ela mandou um áudio dizendo que estavam puxando o cabelo do meu filho, falando que ele tinha uma doença contagiosa por conta da pele dele, para ninguém ficar perto dele e, por isso, ele sempre se sentava sozinho”, conta. “Outra vez, ele já foi chamado de ‘macaco’, disseram que o cabelo dele parecia de um macaco”, revelou.

No dia seguinte, Bruna foi até a escola do filho. “Depois de conversar com ele, já mandei mensagem para a escola. Responderam dizendo que não tinham horário para me atender, mas eu fui mesmo assim. Fui bem atendida, pediram desculpas e disseram que iriam falar com os pais das três meninas. Explicaram também que esse ‘processo é lento’, que as crianças precisam ser ensinadas aos poucos. Eu choro todas as vezes que vejo o vídeo e quando lembro do que aconteceu. Eu me sinto uma inútil em não poder defender meu filho. Não queria que ele passasse por isso. Ele tem 6 anos, e essa já é a segunda vez”, lamentou.

“Tinta branca”
Bruna conta que, anteriormente, o filho já disse que “queria cortar o cabelo” e, outra vez, disse que “queria ser branco”. “Ele disse que iria pintar a pele dele com tinta branca para as meninas gostarem dele. Nesses últimos meses, recebi um bilhete da professora dizendo que ele estava falando palavrão na escola. Não entendi, pois aqui na minha casa não falamos. Sinto que ele está ficando mais agressivo e faz de tudo para ser aceito pelas pessoas. O meu filho é uma criança que guarda tudo pra ele. Ele é muito sentimental. Muitas vezes, até se humilha, e isso me parte o coração”, desabafou.

“Hoje, ele está bem. Eu não deixo ele pensar nessas coisas. Eu falo para ele toda hora o quanto ele é lindo e o quanto o cabelo dele é lindo. Eu desejo que o meu filho seja um homem de bem, honesto. Aqui na minha casa não temos preconceito. Eu já disse que ele pode ser o que quiser. Eu só quero que ele seja feliz, quero que ele tenha as oportunidades que eu não tive”, finalizou.

O que diz a escola
Christopher é bolsista no Colégio Nova Era, de São Paulo. A instituição se pronunciou sobre o caso:

“Nós, do Colégio Nova Era, acreditamos na educação como nossa maior ferramenta de transformação do mundo e temos consciência de que todo processo educacional começa pelo respeito. Desde já, afirmamos que nossa equipe não compactua com nenhum tipo de preconceito ou atos discriminatórios. Ao longo dos nossos 32 anos de existência, contemplamos projetos pedagógicos voltados às competências socioemocionais, como o Líder em Mim e a Jornada Pedagógica, focados no desenvolvimento individual e coletivo. Nossa prioridade sempre foi criar um ambiente para que todos se sintam seguros e acolhidos. Estamos tratando esse caso de acordo com os protocolos estabelecidos e prezando pelo bem-estar e privacidade de todos os envolvidos. Seguimos sempre abertos para o diálogo.”

Assista no link abaixo o vídeo postado pela mãe.

Com informações da Revista Crescer